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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

UMA NOITE DE CRIME

The Purge-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: James DeMonaco
Elenco: Ethan Hawke, Lena Headey, Edwin Hodge

NOTA: «««««

Sinopse: Quando o governo norte-americano constata que suas prisões estão cheias demais para receberem novos detentos, uma nova lei é criada, permitindo todas as atividades ilegais durante 12 horas. Este período, chamado de Noite do Crime, é marcado por milhares de assassinatos, linchamentos e outros atos de violência por todo o país. O intuito, segundo o governo, é permitir que todos os cidadãos libertem seus impulsos violentos, garantindo a paz nos outros dias do ano. Neste contexto vive a família de James Sandin (Ethan Hawke), um vendedor de sistemas de segurança que prospera graças à Noite do Crime. Quando o evento ocorre, no entanto, o filho de James aceita abrigar um homem perseguido por psicopatas. Logo, toda a família está em perigo, seja dentro de sua própria casa, com a presença do desconhecido, seja pelas ameaças vindas dos psicopatas em frente ao imóvel, que prometem entrar e matar a todos.


O conceito apresentado por “Uma Noite de Crime” é interessantíssimo. O filme começa com um letreiro explicando que os EUA institucionalizaram uma data no ano onde os cidadãos podem se “purificar” cometendo todo e qualquer tipo de violência, desde que seja feita dentro das 12 horas estipuladas por lei. Após essa instauração do governo, o país encontrou a tão almejada paz dentro de sua sociedade, com toda a população vivendo em mútuo respeito durante os 364 dias no ano, exceto, obviamente, na Noite de Crime. 

É curioso imaginar como seria na vida real se tal lei fosse aprovada por algum governo. Lidar com pessoas é uma atividade ao mesmo imprevisível quanto desgastante, e só de imaginar um período sem regras ou tolerância com as pessoas podendo realizar qualquer ato desejado de violência, soa curioso. 


Mas “Uma Noite de Crime” não é um filme que busca explorar as nuances dessa ótima proposta, que envolve temas de sociedade e política. É um filme que foca no ato e como essa atitude se rebaterá contra determinada pessoa. No caso aqui, do protagonista interpretado por Ethan Hawke, um pai de família que vende equipamentos de segurança para a Noite do Crime e que é surpreendido por um grupo decidido a matar um cidadão que o filho de Hawke permitiu, sem sua autorização, a se refugiar dentro da sua casa. Sem a entrega do rapaz, a violência cairá sobre a família de Hawke. 

Portanto, como suspense, “Uma Noite de Crime” é extremamente previsível e sem criatividade. Como ação, funciona apenas em um único momento quando Hawke inicia uma briga com membros do tal grupo, e tudo, devido à eficiente direção do momento. Mas fora isso, o diretor James DeMonaco dificilmente engrena no ritmo e perde uma oportunidade de explorar questões mais interessantes acerca desse conceito original.

Comentário por Matheus C. Vilela

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

SEGREDOS DE SANGUE

Stoker-EUA
Ano: 2013 -  Dirigido por: Chan-Wook Park
Elenco: Mia Wasikowska, Nicole Kidman, Matthew Goode

NOTA: «««««

Sinopse: O pai de India (Wasikowska) morre em um acidente de carro e seu tio Charlie (Goode), cuja existência ela ignorava, vem morar com ela e sua mãe (Nicole Kidman). Pouco depois da mudança, India começa a suspeitar que esse homem misterioso e charmoso tem motivos sombrios. Ao invés de sentir raiva ou horror, a garota sem amigos começa a se encantar por ele.


Chan-Wook Park é um diretor angustiante, tenso e cria sempre em seus filmes um clima estarrecedor de nos deixar com o coração nas mãos. Seus excelentes “Oldboy” e “Sede de Sangue” são provas disso. Embarcando neste que é o seu primeiro filme em Hollywood, Chan-Wook mostra que ainda sabe criar a tensão e o ambiente hostil e imprevisível, porém, “Segredos de Sangue” está longe de ter o impacto presente em seus trabalhos anteriores. 

“Segredos de Sangue” não é ruim. É uma obra competente na narrativa, fervoroso na tensão e com um elenco ótimo encabeçado por Nicole Kidman, Matthew Goode e Mia Wasikowska. Principalmente Goode que está excelente na pele do tio psicopata. 


Mas apesar disso, a falha de “Segredos de Sangue” está justamente na obviedade da sua história, que não é nada original ou surpreendente. O roteiro de Wentworth Miller não busca criar uma tensão ascendente, e isso, prejudica o foco na relação de mãe e filha (Kidman e Wasikowska). E prejudica, principalmente, as revelações finais que já são previsíveis desde o inicio. 

O que vale em “Segredos de Sangue” é presenciar a competência dos atores, e o esforço de Chan-Wook em tornar uma trama simples e falha em algo envolvente. E consegue.

Comentário por Matheus C. Vilela

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O VERÃO DA MINHA VIDA

The Way, Way Back-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Nat Faxon e Jim Rash
Elenco: Steve Carell, AnnaSophia Robb, Toni Collette

NOTA: «««««

Sinopse: Duncan (Liam James) é um garoto de 14 anos que vive com a mãe e não suporta o namorado dela, Trent (Steve Carell), que volta e meia o menospreza. Eles viajam para uma casa de praia durante o verão, juntamente com a filha de Trent, Laura (Devon Werden). Deslocado em meio aos amigos de Trent e até mesmo com a própria mãe, Duncan passa os dias pedalando pelas redondezas. Num de seus passeios ele conhece Owen (Sam Rockwell), um cara despojado que trabalha no parque de diversões aquático local. Não demora muito para que o garoto se aproxime dele, especialmente quando consegue um emprego de verão no próprio parque.


O filme independente do ano! Sucesso no festival de Sundance, o filme me lembrou de “Os Descendentes”, não pelo conteúdo, mas pela repercussão que vêm tendo. E também o roteiro foi escrito por Nat Faxon e Jim Rash, que escreveram “Os Descendentes” e também dirigem o filme, e mais uma vez, abordam conflitos familiares e partem desse pretexto para falar de amadurecimento. 

O filme é simples e foca em Duncan (Liam James), um garoto cuja mãe esta se relacionando com um sujeito arrogante chamado Trent (Steve Carrell, ótimo!), e toda a família viaja de férias para a casa de praia de Trent. Duncan é um garoto solitário, fala pouco e se sente abandonado pelo pai, e sofre com o relacionamento da mãe. Lá, ele irá conhecer uma menina chamada Susanna (AnnaSophia Robb, linda!) e fará amizade com o dono do parque aquático da cidade chamado Owen (Sam Rockwell, excelente!), que transformará sua vida mostrando a importância de ser o que é e lutar pelos sonhos. 


“O Verão da Minha Vida” não é tão emocionante quanto “Os Descendentes”, mas percebe-se o mesmo estilo de texto e desenvolvimento que se teve no longa de Alexander Payne. O filme se sustenta principalmente pelos atores que estão ótimos trazendo maior interesse por seus personagens. Destaco a atuação de Steve Carrell, acostumado com papeis de pessoas bobas e desajeitadas, o ator surpreende com o tipo arrogante e infiel, causando revolta e repulsa por sua pessoa. Já o protagonista Liam James ganha força quando está ao lado de Sam Rockwell e da bela e cativante AnnaSophia Robb (pra quem não conhece, ela foi a menininha que masca chiclete na “A Fantástica Fábrica de Chocolate” com Johnny Depp, mas agora, bem crescida). 

Falando de amadurecimento e da importância de amigos e saber viver sem medo ou restrições, “O Verão da Minha Vida” acerta por explorar as relações de Duncan com a mãe e principalmente os amigos do parque. O ser humano não é ninguém sozinho, e amigos são fundamentais para o nosso crescimento, e sem eles, é impossível se sentir parte desse mundo. 


Abordando de forma simplória sem grandes reviravoltas ou momentos dramáticos, “O Verão da Minha Vida” merece ser visto e apreciado com o coração aberto. O filme independente do ano que vêm fazendo grande sucesso, não duvido nada que talvez receba uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. E ainda que não, ao menos vale a experiência agradabilíssima proporcionada pela obra. Vale a pena!

Comentário por Matheus C. Vilela

JOBS

Jobs-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Joshua Michael Stern
Elenco: Ashton Kutcher, Matthew Moddine, Josh Gad

NOTA: «««««

Sinopse: De hippie sem foco nos estudos a líder de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Este é Steve Jobs (Ashton Kutcher), um sujeito de personalidade forte e dedicado, que não se incomoda de passar por cima dos outros para atingir suas metas, o que faz com que tenha dificuldades em manter relações amorosas e de amizade.


Fazer um filme sobre alguém é uma das coisas mais complicadas que existem. Biografar uma pessoa no cinema, principalmente quando ela é mundialmente conhecida, requer cuidado e atenção para não deixar cair no ovacionismo exacerbado e perder a oportunidade de se fazer algo digno. Afinal, por mais que sejamos fãs, todos temos defeitos e a apresentação destes numa biografia não ridiculariza ou transforma a pessoa em um monstro, muito pelo contrário, isso humaniza e torna a experiência ainda mais interessante. 

Confesso que quando anunciaram uma biografia de Steve Jobs, fundador da Apple e revolucionário da tecnologia atual, tendo como protagonista Ashton Kutcher, minha relutância foi imediata. Recusei assistir o filme no cinema e quando vi que o longa não estava sendo bem recebido pela crítica, meu medo aumentava. Primeiro porque o filme não obteve o apoio da família de Jobs e não é baseado em sua biografia oficial, o livro “Steve Jobs – A Biografia”, e segundo, porque Ashton Kutcher nunca foi um grande ator e interpretar alguém fundador da Apple apenas por parecer fisicamente não soava como justificativa para tal. 


Agora que o filme está chegando nas locadoras, resolvi dar uma oportunidade, e, por incrível que pareça, me surpreendi e gostei mais do que esperava. Entendo o porque das críticas em torno da obra, e mesmo não sendo algo ainda digno de Steve Jobs, este filme “Jobs”, dirigido por Joshua Michael Stern consegue transmitir não apenas a personalidade difícil do empresário como também motivar o público partindo da perseverança e determinação de um homem que mudou a história do mundo. E nisso o filme nunca cai no exagero santificando Steve Jobs. Mas o trata com equilíbrio mostrando sua personalidade difícil e também sua genialidade. 

O filme passa surperficialmente sobre sua vida. Não busca se aprofundar em absolutamente nada, como por exemplo, a questão acerca da sua filha Lisa que Jobs negou durante anos ser pai da criança. O filme mostra isso, depois esquece e momentos depois já vemos Jobs morando com a garota, já crescida, e a esposa. O filme explora apenas momentos chaves da vida de Jobs, como o começo da Apple na garagem da casa dos seus pais, sua saída da empresa e sua volta anos mais tarde como CEO. Para os que não conhecem nada sobre sua vida, o filme será mais interessante, mas aos que já conhecem, “Jobs” é sustentando unicamente pela direção e, vejam só, pela competência de Ahston Kutcher. 


Como até já falei anteriormente nesse texto, “Jobs” é um filme pra cima, uma peça motivacional que apresenta a figura genial de Steve Jobs, ao mesmo tempo em que mostra sua personalidade dura e, por vezes, sem educação. E isso deve-se a direção de Joshua Michael Stern que filma com ritmo e dinamismo, escolhe músicas certeiras para compor a trilha sonora (temos Cat Stevens e Bob Dylan!) e Ashton Kutcher me convenceu personificando os trejeitos e modo de falar de Jobs e entregando uma performance redonda para os padrões do roteiro de Matt Whiteley. 

Resta esperar o filme que será baseado na biografia oficial de Jobs e escrito pelo ótimo Aaron Sorkin, que escreveu o excelente “A Rede Social”. Este filme está previsto para 2016 e provavelmente será ali que veremos um Jobs mais incisivo e arrogante e teremos maior profundidade em acontecimentos marcantes de sua vida que o ótimo livro escrito por Walter Isaacson relata muito bem. No entanto, não achei este filme ruim. Sob medida e motivador, “Jobs” é uma experiência positiva.

Comentário por Matheus C. Vilela

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

POLISSIA

Polisse-FRANÇA
Ano: 2011 - Dirigido por: Maïwenn
Elenco: Karin Viard, JoeyStarr, Marina Folis

NOTA: «««««

Sinopse: Diariamente, um grupo especializado da polícia francesa precisa lidar com duros crimes envolvendo crianças. A rotina envolve prisão de pedófilos, interrogação de pais abusivos e o cronfronto com menores infratores. Dentro deste universo, a vida privada de cada policial encontra pouco espaço, apesar de ser difícil manter o equilíbrio entre as duas partes. Essa dinâmica sofre sérias mudanças quando Melissa (Maïwenn), uma fotógrafa enviada pelo Ministério do Interior, passa a acompanhar as missões.


Algo que gosto no cinema europeu, principalmente no francês e alemão, é a maneira crua e incisiva com que apresentam certos acontecimentos da vida. Este “Polissia” acompanha um grupo especializado da policia francesa em casos envolvendo menores de idade, como estupros, aliciamento, etc. O cotidiano dos policiais é repleto de casos que irão mexer com o íntimo de cada um, e juntando isso com a vida pessoal, há dias em que o convívio torna-se estressante e desesperador. 

Dirigido por Maïwenn Le Besco, que também atua no filme, “Polissia” é o retrato cru e sem floreios da sociedade, com casos, às vezes, inimagináveis de se acreditar, envolvendo pais, professores, amigos, etc. A demonstração de que não estamos livres de pessoas com intenções dúbias, e que em qualquer lugar podemos encontrar alguém assim. 


Apesar dessa abordagem maravilhosa de “Polissia”, Maïwenn se perde durante a construção de sua história. A diretora cria momentos angustiantes quando decide focar nos casos de abuso, mostrando a dor das crianças, e principalmente as reações dos acusados. Entretanto, em meio a isso, “Polissia” erra por querer se preocupar com todos os integrantes do grupo policial. Temos a policial com anorexia, o outro que acaba de se separar da esposa, o policial com problemas no casamento que se apaixona pela nova funcionária do grupo (uma fotografa enviada para tirar fotos dos casos, interpretada, aliás, pela própria diretora), tramas estas que não são muito bem construídas, tirando todo o impacto de suas resoluções. 

Porém, há os seus méritos. “Polissia” é um filme competente que não cai no sensacionalismo, buscando de maneira sóbria mostrar os casos resolvidos pela Brigada de Proteção a Menores na França. Há momentos emocionantes, um deles que expõe não um caso de abuso, como é comum no departamento, mas de situação econômica onde uma mãe leva o filho para entregá-lo aos policiais por não ter condições de alimentá-lo e oferecer um local confortável para a criança dormir. Um filme coerente que transmite com indignação e revolta uma realidade desumana e desconfortável, mas, infelizmente, real. 

Comentário por Matheus C. Vilela

SE NÃO NÓS, QUEM?

Wer Wenn Nicht Wir-ALEMANHA
Ano: 2011 - Dirigido por: Andres Veiel
Elenco: August Diehl, Lena Lauzemis, Andreas Dohler

NOTA: «««««

Sinopse: No início dos anos 1960, Bernward Vesper (August Diehl) e sua amiga de universidade Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis) se apaixonam no meio da atmosfera da Alemanha Oriental. O casal funda uma pequena editora que, já no primeiro trabalho, causa polêmica: trata-se de um trabalho antigo do pai de Bernward, famoso autor nazista. O questionamento inaugura novos rumos na vida do casal em uma era de mudanças.


“Se Não Nós, Quem?” nos traz as conseqüências deixadas pelo nazismo, após a Segunda Guerra, durante o período da Guerra Fria na geração jovem alemã. A história apresenta Bernward Vesper e Gudrun Ensslin, um casal de adolescentes que começam um relacionamento na faculdade, e apaixonados pela literatura, decidem fundar uma editora. O primeiro livro publicado é um antigo trabalho do pai de Bernward, polêmico autor nazista, que causa grande controversa e polêmica, já que a Alemanha Ocidental sofria com o pós-guerra, e também com a luta dos jovens pela queda do poder autoritário e a implantação da democracia. 

As lutas de 1968 na Alemanha, com os diversos ataques terroristas que tiveram, sempre foi um tema constante no cinema alemão, em filmes onde não se tinha uma visão muito agradável dessa realidade, e muito menos fantasiosa. Obras como “Bom Dia, Noite” (2003), “Os Sonhadores” (2003), “Amantes Constantes” (2005), “O Grupo Baader Meinhoff” (2008) e o mais recente “Carlos, o Chacal” (2010) são provas desse retrato realista e cru da realidade alemã na década de 60. 


Este “Se Não Nós, Quem?” mostra também os primeiros passos do Grupo Baader Meinhoff, mas não é esse o foco. O filme dirigido por Andres Veiel intercala cenas de arquivo das revoluções com o desenvolvimento do casal protagonista, e como essa realidade afetará a visão de cada um sobre aquele mundo. O filme deixa a desejar na construção dessa trajetória dos protagonistas, criando um romance resumido e pouco envolvente do casal, passando pelos anos com rapidez impedindo de se interessar mais por cada um deles e o caminho que seguem na vida. 

Se Não Nós, Quem?” não é um dos mais memoráveis filmes que falam sobre a juventude revolucionária alemã, mas possui suas qualidades como a ótima edição e a maneira pulsante com que Andres Veiel nos apresenta os momentos revolucionários do período, trazendo imagens de arquivos acompanhadas de uma excelente trilha sonora. Mas ainda assim, é um exemplar "normal" e nada impressionante.

Comentários por Matheus C. Vilela

ROTA DE FUGA

Escape Plan-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Mikael Hafstrom
Elenco: Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jim Caviezel

NOTA: «««««

Sinopse: Ray Breslin (Sylvester Stallone) é a maior autoridade existente ao se falar em segurança. Após analisar diversas prisões de segurança máxima, ele desenvolve um modelo à prova de fugas. Quando é preso, Ray é enviado justamente para a prisão que criou. Lá ele precisa encontrar uma brecha não imaginada até então, que permita sua fuga.


Quando vou assistir a algum filme estrelado por Sylvester Stallonne ou Arnold Schwarzenegger, busco ver sempre com outros olhos e extrair ao máximo a proposta de seus trabalhos. Quando anunciaram este “Rota de Fuga”, onde os dois ícones do cinema de ação norte-americano estariam dividindo a tela mais uma vez, porém, agora, apenas com os dois, fiquei interessado. Ao término da sessão, saí extremamente feliz por ter assistido um exemplar eficiente de ação, digno dos seus anos dourados, e dentro de um contexto velho, o de fuga de prisão, mas que sempre proporcionou ótimos filmes ao longo dos anos. 

Na trama, Ray Breslin (Stallone) possui a função de avaliar as prisões americanas buscando falhas e possibilidades de fuga. Ele já conseguiu escapar de todas as prisões de segurança máxima onde esteve preso, ao ponto de ter escrito um livro contendo todas as informações para se criar um modelo a prova de fugas. Porém, certo dia, Breslin aceita um trabalho ultra secreto onde é enviado para uma prisão privada em local desconhecido, sem informações e contato interno. Enganado, Breslin começa uma amizade com Emil Rottmayer (Schwarzenegger), detendo, que o ajudará com o plano de escape. 


Dirigido pelo sueco Mikael Hafstrom, que dirigiu filmes bons como “1408” e “O Ritual”, “Rota de Fuga” traz o espírito da fase de sucesso dos dois astros protagonistas com seriedade e foco. Diferente dos seus últimos filmes que apostavam no humor relacionado com a velhice de Stallonne e Schwarzenegger, aqui não temos isso. Ambos encarnam com vigor e competência o estereótipo “motherfucker” como se fossem jovens, e a fator “idade” nem interfere e tão pouco nos lembramos disso. 

E mais ainda, “Rota de Fuga” traz um Stallonne encarnando não unicamente o cara fortão e bom de briga, mas um sujeito inteligente e estrategista. Grande parte da duração do longa se concentra no desenvolvimento dos protagonistas em fugir da prisão, o que resulta numa competente direção de Hafstrom que cria um ritmo empolgante, que confesso, me lembrou “Missão Impossível”, e no final traz ainda uma seqüência de ação no melhor estilo oitentista, com tiros que nunca pegam nos protagonistas, Schwarzenegger metralhando os vilões e Stallonne soltando um “BUM!” antes de ocasionar uma explosão. Momentos galhofas, mas que remetem o melhor da carreira de cada um, o que faz de “Rota de Fuga”, dentro desse contexto, o melhor exemplar dos atores nos últimos anos. 


Competente, divertido, empolgante e tratando Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger com seriedade, “Rota de Fuga” me surpreendeu despertando o interesse de querer ver mais filmes do eterno Rambo e Exterminador. As “quatro estrelas” podem parecer um exagero para um filme estrelado por esses atores, mas se você for avaliar bem o objetivo e o gênero cinematográfico que estamos falando aqui, então verá que “Rota de Fuga” vale e muito a pena.

Comentário por Matheus C. Vilela