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sexta-feira, 30 de maio de 2014

NoCinema: MALÉVOLA

Maleficent/EUA
Ano: 2014 - Dirigido por: Robert Stromberg
Elenco: Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley

NOTA: «««««

Sinopse: Baseado no conto da Bela Adormecida, o filme conta a história de Malévola (Angelina Jolie), a protetora do reino dos Moors. Desde pequena, esta garota com chifres e asas mantém a paz entre dois reinos diferentes, até se apaixonar pelo garoto Stefan. Os dois iniciam um romance, mas Stefan tem a ambição de se tornar líder do reino vizinho, e abandona Malévola para conquistar seus planos. A garota torna-se uma mulher vingativa e amarga, que decide amaldiçoar a filha recém-nascida de Stefan, Aurora. Aos poucos, no entanto, Malévola começa a desenvolver sentimentos de amizade em relação à jovem e pura Aurora.


Estamos vivendo tempos onde a necessidade de algo novo no cinema é latente. Mas ao mesmo tempo entramos num paradoxo já que, esta mesma arte vem sofrendo um forte desgaste de criatividade apostando cada vez mais em remakes e reboots de filmes já existentes. Uma das principais sensações nos últimos anos está sendo adaptar os principais contos de fadas segundo, claro, os padrões da nova geração. Particularmente considero a ideia excelente. Passamos tantos anos sobre a sombra de uma única versão, aquele tom clássico e poético dos filmes da Disney de décadas atrás, que buscar novos ares e novas ideias dentro dessa mesma história é algo sempre bem-vindo e gratificante. Não necessariamente o motivo para filmes bons, mas a intenção, em si, é bastante válida. 

No caso deste “Malévola” a Disney busca seguir um caminho diferente. O foco central não é a princesa e muito menos sua história de amor verdadeiro e descobertas. Aqui o centro é a vilã. Ou talvez não necessariamente uma vilã. Clássica personagem do estúdio e de sua galeria de vilões, Malévola era temível e ameaçadora no desenho de 1959, uma das minhas vilãs preferidas dos filmes de princesas da Disney, por assim dizer. Uma figura imponente que não media esforços. A Malévola deste filme, interpretada por Angelina Jolie, mantém os elementos clássicos da personagem, mas com um fundo de humanidade. Aqui, conhecemos o que levou Malévola a se tornar uma pessoa obscura. Não temos a superficialidade de um típico vilão com risadas sinistras e frases de efeito, muito pelo contrário, no filme, a personagem é posta como alguém como qualquer outro, que soube amar, cuidar, se preocupar e ser justa, mas que no processo, foi machucada a tornando reclusa e solitária. Mas sem nunca deixar de, lá no fundo, ser a pessoa doce e humana que um dia foi.


Tudo isso me chamou mais atenção do que o lado fantástico da obra. Os vilões por si só fazem mais sucesso e são mais queridos pelo público por natureza. E cá entre nós, eles são os melhores sem dúvida! E fazer o público entender os sentimentos desse tipo de personagem, torcer por ele e se emocionar é um feito muitíssimo gratificante. Em “Malévola”, apesar dos problemas estruturais do seu roteiro que vou falar a seguir, consegue esse feito, e talvez um dos grandes méritos do filme, se não o maior deles, é ter Angelina Jolie encarnando esse papel. A atriz está muito mais do que se divertindo, mas se entrega de tal maneira, que traz uma profundidade que se dependesse apenas do roteiro não teríamos. Seus olhares são maravilhosos, sua fala é essencial e cada gesto e movimento do seu corpo é Angelina expressando algo sobre Malévola. Uma atriz que não tem um rosto de mulher inocente, mas sim, aquele sexy-appeal que já conhecemos bem em seus filmes, e a atriz usa isso criando uma personagem orgânica, sensível, imprevisível e, devo dizer, sexy. Detalhe este que a torna ainda mais interessante e fascinante. 

Dirigido pelo estreante na direção Robert Stromberg, que na realidade é designer de produção e de efeitos visuais de filmes como “As Aventuras de Pi”, “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, “Jogos Vorazes” e outros, e ganhador de dois Oscars de melhor designer de produção pelos filmes “Avatar” e “Alice no País das Maravilhas”, Stromberg é um profissional que sabe trabalhar com efeitos e construir cenas. Há momentos de puro delírio visual como as sequencias de voo da personagem ou mesmo o visual do mundo das fadas onde vive Malévola. 


Mas dentre tantas qualidades, “Malévola” erra em pontos chaves que prejudicam um melhor aprofundamento nas relações apresentadas no filme. Se os motivos que levaram Malévola ao lado sombrio são apresentados de uma maneira eficiente no início do filme, relacionando sua “maldade” a uma decepção amorosa que sofreu com Stefan, que se tornaria rei e pai da princesa Aurora, esse envolvimento soa extremamente apagado no grande clímax, e a mudança de personalidade de Stefan, sua ganância pelo reino e os motivos que o levaram trair a pessoa que dizia amar tanto, são passados superficialmente tornando-o um personagem apático e pouco interessante dentro da história, e sem impacto algum, o que torna ainda mais banal sua insanidade no já citado grande clímax.

Sem falar também da rapidez que se resolve o sono profundo da famosa princesa, comprovando que os roteiristas estavam pouco interessados na história da Bela Adormecida e também o desleixo que o roteiro tem com as três fadas madrinhas, na obra original três pessoas super protetoras que, apesar do tom cômico, se preocupavam ao máximo com a princesa. No filme, Aurora fica fora de casa até altas horas da noite e não é mostrado nenhum pingo de preocupação das personagens, que só aparecem para fazer piadinhas. 


Mantendo a cultura das mulheres fortes e independentes que não precisam de homens e nem de ninguém para se sobressaírem, “Malévola” tem uma reviravolta que lembra muito o já clássico “Frozen – Uma Aventura Congelante” e é a Disney subvertendo mais uma vez os seus próprios clichês, adaptando suas personagens femininas ao mundo atual. E isso é simplesmente ótimo! 

Malévola” consegue ser a melhor releitura de um conto de fadas até agora. Apesar dos pesares, é um filme que diverte, é visualmente magnifico, estabelece bem a nova visão que tiveram da protagonista e possui uma atriz forte e interessante num papel que requeria justamente alguém do seu perfil. Um entretenimento que vale a pena e merece ser visto. Ponto final.

Comentário por Matheus C. Vilela

quinta-feira, 22 de maio de 2014

NoCinema: X-MEN - DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

X-Men: Days of Future Past/EUA
Ano: 2014 - Dirigido por: Bryan Singer
Elenco: Hugh Jackman, James MacAvoy, Michael Fassbender

NOTA: «««««

Sinopse: No futuro, os mutantes são caçados impiedosamente pelos Sentinelas, gigantescos robôs criados por Bolívar Trask (Peter Dinklage). Os poucos sobreviventes precisam viver escondidos, caso contrário serão também mortos. Entre eles estão o professor Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pryde (Ellen Page) e Wolverine (Hugh Jackman), que buscam um meio de evitar que os mutantes sejam aniquilados. O meio encontrado é enviar a consciência de Wolverine em uma viagem no tempo, rumo aos anos 1970. Lá ela ocupa o corpo do Wolverine da época, que procura os ainda jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para que, juntos, impeçam que este futuro trágico para os mutantes se torne realidade.


Em 2000 chegava aos cinemas “X-Men – O Filme”, obra que adaptava os populares quadrinhos da Marvel sobre um grupo de mutantes cuja principal luta, muito além do que meramente lutar contra outros seres super poderosos, era a busca pelo aceitamento do seu espaço dentro de uma sociedade não acostumada com tais tipos de seres humanos. Bryan Singer, diretor do filme, conseguiu trazer de uma maneira tão viva e equilibrada essa discussão, sem abusar de efeitos ou ação, que despertou em Hollywood não apenas o interesse dos estúdios em apostar em filmes adaptados de quadrinhos novamente, como despertou o interesse do público com uma discussão identificável para qualquer pessoa. 

Um tema sempre mantido nos demais filmes da franquia, Bryan Singer, após deixar a direção do terceiro filme para dirigir “Superman – O Retorno” (2006), volta ao posto de diretor neste “X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido” adaptando um dos mais conhecidos arcos das histórias dos X-Men nos quadrinhos. E nada melhor que a viagem no tempo para trazer personagens anteriormente mortos nos demais filmes, como também abre a possibilidade de consertar certas incongruências narrativas na linha cinematográfica dos X-Men. Ainda que no final de tudo não deixe tê-las, isso não passa de detalhes e não interfere em absolutamente nada na eficiência do filme e muito menos nas ligações feitas com os longas já lançados da franquia. 


O mundo atual está destruído. Devastado pelo poder arrasador dos Sentinelas, robôs criados para exterminar a raça mutante mas que no processo não deixou de poupar humanos. Os mutantes estão cada vez mais escassos e o mundo já não é um lugar habitável para nenhum de nós. Xavier juntamente com os mutantes sobreviventes desse holocausto encontram a solução na volta no tempo, mas precisamente no ano de 1972 para impedir que Mística (Jennifer Lawrence) mate o cientista e empresário Bolivar Trask (Peter Dinktale), criador dos Sentinelas, liberando o ódio do mundo contra os mutantes confirmando a ideia dos humanos de “ser uma raça violenta que será responsável pelo extermínio do Homo Sapiens”. Wolverine é o escolhido para o serviço e sua mente é transportada para o seu corpo dos anos 70 com a missão de encontrar os jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para impedir os planos da Mística e impedir que a humanidade tenha o destino devastador mostrado no inicio do filme. 

O roteiro não busca entrar na discussão de como funciona a viagem no tempo ou como a mutante Kitty Pryde/Lince Negra adquiriu os poderes de transportar a mente de outras pessoas para o passado e, particularmente, acho isso ótimo. Soa orgânico, não cria delongas no roteiro que têm espaço para se preocupar com o que realmente interessa: a história central! 


Outro ponto forte é o fato de deixarem de escanteio o próprio Wolverine, que sempre foi o centro das atenções nos filmes anteriormente. Ele aparece bem, tem presença de cena, protagoniza ótimas cenas de ação, tanto que a escolha de Singer e os roteiristas em levá-lo para o passado é justamente para aproveitar um personagem tão amado pelo público, já que na HQ quem volta no tempo é a Kitty Pryde, mas Wolverine não ofusca o foco central do roteiro que é o triângulo Xavier, Magneto e Mística. 

Realçando a velha discussão entre Xavier e Magneto, aqui temos uma forte continuidade da história de cada um vista no excelente “X-Men – Primeira Classe”, se aprofundando mais ainda no relacionamento entre os três mostrando como a relação entre o trio chegou ao ponto dos primeiros filmes dos X-Men. E a ligação com “X-Men – O Filme”, “X-Men 2” e “X-Men 3: O Confronto Final” é fantástica criando um universo mais redondo e modelando com maior perfeição todo o arco dos mutantes no cinema, sendo este o filme que mais necessita da presença dos anteriores, e sendo este o melhor eficiente como filme solo. É soberba a construção da história capaz de contar uma trama singular de maneira plausível, mas ao mesmo tempo criando forte ligação com os filmes anteriores, mas de um jeito que não atrapalha a experiência de quem, por acaso, não assistiu os outros filmes. 


Criando cenas de ação eficientes, Singer utiliza os poderes de cada mutante coadjuvante com fluidez aproveitando o talento de cada um em cenas de ação criativas e empolgantes. Principalmente a cena envolvendo o personagem Mercúrio e o seu poder de alta velocidade. A cena não só é divertida, como comprova que não devemos criticar um personagem pelo que vemos em fotos ou cartazes. Criticado severamente pelo visual nas redes sociais, este Mercúrio dos X-Men (lembrando que o personagem também será usado em “Vingadores 2” com outra finalidade e outro ator) não é um dos mutantes principais do filme, mas o seu tempo de tela já consegue mostrar a simpatia e carisma do ator Evan Peters, que já foi confirmado no próximo filme “X-Men: Apocalipse”. 

Dramático e tocante. Empolgante e extasiante. “X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido” marca a volta triunfal de Bryan Singer ao universo que ele mesmo foi o responsável por nos apresentar. Criando um filme maduro que aborda os temas freqüentes dos X-Men com maestria, equilíbrio e sensibilidade, o filme surpreende se tornando, para mim, o melhor de toda a franquia mutante no cinema. Rever atores tão queridos como Ian McKellen (Magneto) e Patrick Stewart (Xavier) reprisando os seus respectivos papéis é uma alegria sem tamanho principalmente para aqueles, como eu, que cresceram assistindo uma, duas, três e inúmeras vezes os filmes dos X-Men. E agora “Dias de Um Futuro Esquecido” entra para a lista de vícios e filmes memoráveis de super-heróis. Não gostei, eu amei!

Comentário por Matheus C. Vilela

sexta-feira, 16 de maio de 2014

NoCinema: GODZILLA

Godzilla/EUA
Ano: 2014 - Dirigido por: Gareth Edwards
Elenco: Bryan Cranston, Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe

NOTA: «««««

Sinopse: Joe Brody (Bryan Cranston) criou o filho sozinho após a morte da esposa (Juliette Binoche) em um acidente na usina nuclear em que ambos trabalhavam, no Japão. Ele nunca aceitou a catástrofe e quinze anos depois continua remoendo o acontecido, tentando encontrar alguma explicação. Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), agora adulto, é soldado do exército americano e precisa lutar desesperadamente para salvar a população mundial - e em especial sua família - do gigantesco, inabalável e incrivelmente assustador monstro Godzilla.


Godzilla apareceu pela primeira vez em 1954 no filme japonês de mesmo nome, exemplificando o medo de uma nação que se reerguia das cinzas após a Segunda Guerra Mundial, principalmente depois das bombas nucleares em Hiroshima e Nagazaki. A metáfora do monstro destruindo cidades e sendo uma força incontrolável para o homem é o conceito desse ser (EUA?) que chega sem avisos trazendo consigo a destruição e a morte. Obviamente que com os anos tal conceito foi se diluindo, e o personagem foi ganhando filmes cada vez mais voltados para o entretenimento e a catarse, com Godzilla enfrentando outros tipos de monstros em duelos que levavam, principalmente, o público japonês ao delírio. 

Em 1998 a criatura ganha sua versão ocidental com Hollywood transformando o bicho numa força de destruição em massa dentro de um filme equivocado que colocava a criatura se escondendo pelos esgotos de Nova York (???), assexuada e mais semelhante com um dinossauro do que com a forma original que lhe foi concebida. Sem falar do típico romance agridoce comum no cinema norte-americano que tornava ainda mais tediosa a experiência. 


Após 16 anos o monstro japonês ganha sua segunda adaptação ocidental para as telonas agora bebendo da fonte original e se preocupando com o impacto de um ser como Godzilla à solta no mundo. O diretor Gareth Edwards (que ganhou notoriedade com o belo “Monsters”) e os roteiristas David Callaham, David S. Goyer e Max Borenstein, colocam Godzilla como a força da natureza que ele é e, diferente do filme de 1998, criam uma abordagem mais realista de como reagiria a humanidade diante de tal força. 

Inserindo outros dois monstros chamados de MUTO (Massive Unidentified Terrestrial Organisms, ou “organismo terrestre gigante não identificado”), também alimentados pela radioatividade e há muitos anos hibernados, Callaham, Goyer, Borenstein e Edwards os usa como animais que agem através dos seus instintos dentro de um mundo que cresceu sem o conhecimento da sua existência (exceto, claro, o governo). Os dois seres acordam e partem em busca um do outro na natural intenção de se acasalarem. Godzilla aparece como o balanço dessa natureza, como o predador presente ali para impor sua dominação. Uma natural disputa de espécies. O clico da vida de criaturas que, quando dominavam toda a terra milhares de anos atrás num período em que a radiação era alta na superfície, tais confrontos era natural. 


Já o ser humano aparece como o intruso dentro desse conflito. Enquanto os bichos estão agindo por instinto e pouco se preocupando com os seres desprezíveis que somos, a raça humana precisa conviver com as consequências da disputa entre eles e buscar se adaptar nesse “novo” mundo. Somos telespectadores. E assistindo a destruição ocasionada pelas criaturas, dispomos de todo o nosso armamento para conter essa força da natureza. Em certo momento um dos personagens fala: “É um erro do homem pensar que ele é capaz de controlar a natureza, e não o contrário”, e isso é justamente a base de todo o conceito deste novo filme. 

É o exemplo dos seres humanos e as formigas. Nós seríamos os monstros, os “godzillas”, enquanto as formigas seríam os humanos buscando sobreviver num mundo tomado por gigantes. No caso do filme, a gente se encaixaria no papel das formigas. 


Mas obviamente que, se a história busca esse lado mais humano e realista, é claro que teremos um drama familiar para criar essa ponte de contato do público com os desastres decorrentes. A ideia é ótima, porém, infelizmente, o roteiro deixa de aproveitar os personagens mais interessantes para focar na típica situação clichê do herói de ação com a família separada tentando sobreviver para no final se reencontrarem novamente. 

Bryan Cranston (nosso Walter White/Heisenberg da série “Breaking Bad”) e Ken Watanabe interpretam aqueles que seria os personagens mais fortes do filme. O primeiro trabalha numa usina nuclear, perde a esposa quando acontece um aparente “terremoto” na usina, cria o filho sozinho, mas nunca deixou de acreditar que todo o ocorrido foi muito mais do que o governo divulgou. E Ken Watanabe interpreta um estudioso sobre tais seres gigantes que habitaram a Terra anos atrás. Final da história? Cranston é descartado rapidamente sendo usado como gancho para o seu filho, interpretado pelo jovem Aaron Taylor-Johnson assumir o filme e encarnar o herói de ação com a família dividida, e Watanabe se resume como o sujeito que vai explicar tudo que está acontecendo para a plateia, e é usado unicamente para isso e nada mais. Daí, voltamos a falar de Aaron Taylor-Johnson novamente que pouco se destaca, mais ainda assim ganha o filme para si nos momentos “humanos”. Resultado final? Você pouco se importa com ele! 


Entretanto, este “Godzilla” de Gareth Edwards, felizmente, abraça a ação no ato final e se entrega ao espetáculo mostrando um forte confronto entre Godzilla e os MUTO. A beleza e perfeição dos efeitos é inegável, assim como a fotografia e a ótima construção das cenas criando grande empolgação no público. E o mais bacana de tudo isso é que o Godzilla no filme, apesar de acharmos que será o grande vilão, na realidade, é colocado como o herói da humanidade estando ali para combater os outros monstros. Devido a sutileza do diretor Gareth Edwards, que já conseguiu trazer humanidade a monstros na estupenda cena final de “Monsters”, aqui repete o feito com o Godzilla, conseguindo fazer com que o público torça, se identifique e se emocione com ele. 

Uma obra com falhas e deslizes, porém, extremamente competente em seus outros aspectos, “Godzilla” é um filme que não só respeita o material original japonês, como consegue trazer certa humanidade a um ser que todos olham como vilão. E repito: a luta final é espetacular e memorável! Vale a pena!

Comentário por Matheus C. Vilela 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

NoCinema: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO

The Amazing Spider-Man 2-EUA
Ano: 2014 - Dirigido por: Mark Webb
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx

NOTA: «««««

Sinopse: Peter Parker (Andrew Garfield) adora ser o Homem-Aranha, por mais que ser o herói aracnídeo o coloque em situações bem complicadas, especialmente com sua namorada Gwen Stacy (Emma Stone) e sua tia May (Sally Field). Apesar disto, ele equilibra suas várias facetas da forma que pode. No momento, Peter está mais preocupado é com o fantasma da promessa feita ao pai de Gwen, de que se afastaria dela para protegê-la. Ao mesmo tempo ele precisa lidar com o retorno de um velho amigo, Harry Osborn (Dane DeHaan), e o surgimento de um vilão poderoso: Electro (Jamie Foxx).



Não sou um assíduo leitor de quadrinhos da Marvel, confesso, mas sei bem o básico do universo do Homem-Aranha e sua trajetória na TV. Com as séries animadas ao longo dos anos, minha afinidade com o herói só foi crescendo. Até que venho os filmes dirigidos por Sam Raimi (Homem-Aranha 1, 2 e 3), e destaco principalmente os dois primeiros, que traziam dentro de sua história aquilo que sempre foi a ideia essencial do herói aracnídeo: o sujeito comum e sem grandes perspectivas que aprende com os erros e cresce com suas desilusões e tragédias. 

Existia dentro dos primeiros filmes aquela necessidade de vivência. A ansiedade de Mary Jane em alcançar o seu sonho de ser atriz, Peter buscando lidar com seus poderes e administrar o tempo entre suas responsabilidades sociais e como herói, ou seja, Raimi conseguiu trazer uma humanidade tão próxima da nossa, de um herói que, mesmo com poderes, era tão como nós, cheio de problemas e frustrações, que conseguíamos vivenciar o heroísmo quando Peter colocava a máscara e saía por Nova York com suas teias. Eram filmes com problemas? Claro que tinham, mas eram apagados por essa ótima abordagem do roteiro, que criava tão bem o espirito de heroísmo e a cada filme, até mesmo o terceiro, tinha o seu tom narrativo cronometrado e bem conduzido passando do drama para as ótimas cenas de ação com fluidez e competência. 


Apesar de ter achado um filme bem melhor que o primeiro, este “O Espetacular Homem-Aranha 2”, que recria do zero no cinema todo o universo do herói, mantém as qualidades que no filme de 2012 eram notáveis e gratificantes, como a ótima química entre Peter e Gwen Stacy e a abordagem sutil e tocante do diretor Marc Webb (de “500 Dias Com Ela) aos dois. Neste daqui o envolvimento entre ambos mostra-se o maior foco do filme, e se cria toda uma identificação que é trabalhada com o desenrolar da trama até chegar no impactante ato final. 

No entanto, apesar de acertar nos diálogos entre Peter e Gwen, o problema do filme é justamente a sua falta de ritmo, a péssima construção narrativa e uma história mais preocupada com o espetáculo visual e em expandir um universo do que focar na trajetória do herói e no amadurecimento de Peter Parker, seja com a morte, ou com o término de um relacionamento, ou com a perda dos pais, etc. Diferente do Peter dos filmes de Sam Raimi, o novo Peter nunca parece aprender nem usar os revezes da vida para moldar sua personalidade seja como símbolo (o Homem Aranha) ou como pessoa (Peter Parker). 


A história envolvendo os pais do herói continua aquele detalhe oportunista para justificar não só o destino que teve o filho do casal, como para ter uma razão para se criar uma galeria de vilões. Neste daqui são três, mas o filme já apresenta easter eggs para outros tantos. Gostava do fato de pessoas comuns com boas intenções (Dr. Octopus e Homem Areia) ou daquelas com motivos estritamente pessoais (Norman Osborn) sofrerem um acidente imprevisível e se transformarem nos vilões que não queriam ser. Já em “O Espetacular Homem-Aranha 2” as motivações de cada um partem do besta para o infantil. O sujeito bobão que sonha em ter atenção (Electro), o filhinho de papai que está morrendo, pede ajuda para o cabeça de teia e não é atendido (Harry Osborn) e o outro que não passa de um mero lunático com gosto para violência e cujas atitudes nunca são esclarecidas (Rino). 

De uma maneira bem enfática e direta: “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” é um filme muito arrastado e sem graça! Como mencionei antes, um dos problemas é a falta de ritmo e o tom que o diretor Marc Webb nunca parece encontrar. As cenas do Homem-Aranha balançando pela cidade com suas teias, de fato, são belíssimas e espetaculares, mas o filme pouco investe na ação e quando investe são cenas breves e mal inspiradas criando confrontos rápidos e sem clímax com duelos superficiais e pouquíssimos embates corpo a corpo. Detalhe este que nos filmes de Sam Raimi era presente e muito bem executado, exemplo disso é o segundo filme, “Homem-Aranha 2” (2004), cujas lutas entre o herói e o vilão são memoráveis. 


Portanto, ainda que melhor que seu antecessor e com dois ótimos atores que compõe um casal cuja química flui e encanta, ainda assim, “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” continua longe do espetacular. Ao sair do cinema, a sensação deixada foi a de uma obra tediosa e sonolenta que foca tanto em querer explicar o passado do herói com os seus pais, que esquece de se preocupar com a imagem desse herói. Podem dizer que este Homem-Aranha com o seu estilo piadista e intrometido foi extremamente fiel aos quadrinhos e muito melhor que o anterior interpretado por Tobey Maguire, porém, infelizmente, foi usado em um filme que, de um modo geral, é bem fraquinho.

Comentário por Matheus C. Vilela

quinta-feira, 10 de abril de 2014

NoCinema: CAPITÃO AMÉRICA: O SOLDADO INVERNAL

Captain America: The Winter Soldier-EUA
Ano: 2014 - Dirigido por: Anthony Russo e Joe Russo
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson

NOTA: «««««

Sinopse: Capitão América 2 - O Soldado Invernal se passa dois anos após os eventos mostrados em Os Vingadores - The Avengers. Steve Rogers luta para cumprir seu papel no mundo moderno, em parceria com Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, para derrotar um poderoso e misterioso inimigo na cidade de Washington dos dias atuais.



Se a grande preocupação no primeiro filme era como fazer para adaptar um super herói extremamente americanizado para as grandes platéias e eles conseguiram fazer um filme decente e equilibrado, esta continuação intitulada “Capitão América – O Soldado Invernal” não só consolida o Capitão América como um personagem para todos os públicos, como também o faz criando a história mais dramática da Marvel e o filme melhor construído e bem elaborado do estúdio até então. 

Buscando inspiração nos grandes filmes de espionagem oitentistas, os diretores Anthony Russo e Joe Russo juntamente com os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely aproveitam que o super herói não envolve seres mágicos (Thor) ou alta tecnologia (Homem de Ferro) para investir na essência que era o Capitão América em sua fase de ouro nos quadrinhos. Conspirações, conflitos governamentais e espionagem eram temas freqüentes nas comic books do herói. Trazendo para o filme, a história do longa investe em tal abordagem criando uma forte ligação com o primeiro filme e se aprofunda nos bastidores da organização secreta S.H.I.E.L.D, resultando em acontecimentos que interferirão em todo o futuro do universo Marvel nos cinemas, e principalmente no futuro da série de TV “Agentes da SHIELD”. 


Se preocupando também com o universo Marvel e sua expansão, “O Soldado Invernal” é o filme que melhor expande esse universo apresentando sem exageros ou forçadamente determinados personagens que darão as caras nos próximos anos. Não há como em “Homem de Ferro 2”, por exemplo, aquele desespero de a todo instante colocar algo ou criar, de qualquer maneira, uma ligação com algum outro personagem. Tudo aqui é citado por um motivo e nada é nos apresentado sem propósito. E ainda assim, o foco não deixa de ser o Capitão América. 

Por falar em Capitão América, o personagem não é deixado de lado em nenhum momento e temos dois arcos dramáticos eficientes envolvendo dois personagens do primeiro filme. Um deles com o antigo interesse amoroso de Steve Rogers (algo rápido, porém, tocante) e outro com o seu melhor amigo Bucky Barnes, morto no anterior. 


E não posso deixar de elogiar as excelentes e empolgantes sequências de ação e a ótima estrutura narrativa criada pelos diretores nesta continuação. Se Joe Johnston buscou em Steven Spielberg a inspiração para contar a origem do herói no filme de 2011, que gosto muito, os irmãos Anthony e Joe Russo muda esse ritmo amadurecendo e criando um ambiente mais hostil e dramático. Existem os alívios cômicos, no entanto, tudo é muito equilibrado e há o momento certo para cada ocasião. 

Melhor filme produzido pela Marvel até então (lembrando que nessa avaliação não conta nenhum Homem Aranha ou X-Men, já que os direitos para se fazer filme pertencem a outros estúdios), “Capitão América – O Soldado Invernal” não só traz uma ação competente e adulta, como muito mais violência que o primeiro filme e um desenvolvimento melhor de personagens e do universo Marvel em si. Agora, é esperar pelo “Guardiões da Galáxia” ainda este ano e o tão aguardado “Os Vingadores 2: A Era de Ultron” ano que vem. Recomendado!

Comentário por Matheus C. Vilela

sábado, 5 de abril de 2014

NoCinema: NOÉ

Noah-2014
Dirigido por: Darren Aronofsky
Elenco: Russell Crowe, Jennifer  Connelly, Emma Watson

NOTA: «««««

Sinopse: Noé (Russell Crowe) vive com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll) em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins). Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila (Emma Watson), que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.


SE VOCÊ ACHA QUE INDO ASSISTIR “NOÉ” ESTARÁ VENDO UM RELATO 100% FIEL DO QUE ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA ENTÃO NEM VÁ! VOCÊ VAI SE DECEPCIONAR! Digo isso porque a grande maioria das pessoas, principalmente os cristãos, ao verem que é um filme baseado numa história bíblica, logo acham que tudo será de acordo com o que está escrito e será uma obra gospel com lições de moral e aprendizados divinos. Poderia até ser se caso tal filme fosse dirigido por um cristão ou tivesse o selo gospel. Mas não é o caso aqui. 

“Noé” é um obra cinematográfica de 200 milhões de dólares feito por Hollywood e um diretor que nasceu cristão, mas hoje se diz ateu. E pelas exigências do mercado, uma história que na Bíblia é contada em apenas cinco páginas sem dúvida alguma sofreria liberdades criativas, e claro, teria a visão do seu diretor também presente ali. E ainda que seja considerado pelos seguidores do cristianismo um livro divino inspirado por Deus (e me incluo dentro desse grupo), a Bíblia para os seus não seguidores é apenas um livro histórico envolto de tramas fantásticas e outras que contextualizam a história da humanidade, e como todo livro, é passível de adaptações. 


O diretor Darren Aronofsky faz isso. Pega uma história famosa e adapta para o cinema injetando ares épicos e de aventura recheado de efeitos visuais, sem deixar de lado o seu habitual interesse pelo contexto humano, da existência do homem e daquilo que nos forma. Apesar, como já mencionei lá em cima, de ser cristão e de acreditar na Bíblia, escrevo esse texto deixando todo e qualquer traço religioso de lado, e digo que, Aronofsky cria discussões válidas ao criar um Noé humano. Não é, como também já disse, um filme religioso, gospel, mas uma obra que explora a humanidade de um homem que recebeu do Criador (como é sempre intitulado Deus no filme) uma missão árdua que todo homem teria tido suas dúvidas, medos e receios. Afinal, o mundo seria destruído!

Aronofsky foge da exaltação religiosa de Noé. Não o coloca como herói da humanidade, um ícone religioso e muito menos como o homem santo que grande parte da humanidade tem criada. Sim, as qualidades do homem que a Bíblia descreve estão ali: fiel a Deus, integro, honesto, mas também, um homem que ao se entregar tanto a sua religião beira o fanatismo chegando ao ponto de achar que deve, após o dilúvio, matar sua própria família para que o homem não venha pecar contra Deus novamente, e assim, permitir que a humanidade viva no Paraíso (Éden) como antes, em paz e sem a violência gerada pelo homo sapiens


O filme não mostra respostas divinas como o céu se abrindo após uma oração de Noé ou outros sinais que justifiquem a existência de Deus. Ele existe e precisamos crer nisso. Deus fala com Noé através de imagens nos seus sonhos e o restante depende da ação deste homem. A sua fé na existência desse Deus é tão grande que tudo desencadeia no terceiro ato com o já citado desejo do protagonista de acabar de vez com a raça humana matando também sua própria família para deixar a humanidade seguir o seu curso apenas com os animais. 

Olhando assim o Noé de Aronofsky não soa nada como uma homem santo e heroico. E de fato não é. O personagem vê sua missão como uma missão e sua pessoa como alguém escolhido por Deus para cumpri-la e pronto. Essa abordagem é tão explorada pelo diretor que há momentos que chegamos a questionar se de fato tal homem é um escolhido por Deus. Mas isso não só torna Noé um ser humano como todos, como mostra a fraqueza humana e o pecado existente dentro de cada um de nós, ocasionado com a queda de Adão e Eva no jardim. Afinal, os grandes homens da Bíblia tiveram momentos de angustia, medo, dúvida como qualquer outro, e tiveram também o seu propósito na Terra colocado em cheque pela sua natureza humana. Me lembro de uma cena emocionante de “O Príncipe do Egito” quando o Egito está sendo destruído pelas pragas e vemos Moisés andando sozinho pelas ruas chorando e lamentando toda aquela dor e destruição. Algo que ele não queria que acontecesse. 


Mas claro, “Noé” também possui o seu lado “fantasia” e por sinal bem crível e gratificante. Inicialmente é um tanto quanto estranho ter a presença de gigantes de pedra (que na verdade são anjos caídos) ajudando Noé na construção da arca, mas Aronofsky os coloca de um jeito tão convincente dentro do filme e sua importância é tão essencial na história que com o tempo começamos a gostar deles. E por outro lado, apesar de não existir isso no texto bíblico, a ideia até convence, já que dentro da Bíblia existe tantos personagens e situações mágicas, que o fato de ter anjos ajudando Noé desce pela garganta, e torna também o filme mais rico com cenas de ação grandiosas. 

Agora, o fato de não ter achado “Noé” um grande filme e de não ter apreciado tanto como gostaria (talvez pela alta expectativa) não tem nada a ver com religião, tanto que demorei até aqui expondo como gostei das abordagens do diretor. Principalmente ao juntar a criação do universo com o big bang, fazendo deste uma criação do próprio Deus! Se concordo ou não é uma coisa, mas que são opiniões válidas e bem construídas isso são. 


O que me decepcionou em “Noé” foi como dentro dessas abordagens todas, Aronofsky acaba criando um drama insosso entre Noé e sua família que só quebra o clima e pouco ajuda na história. Temos uma sequência chata e cansativa envolvendo a gravidez da personagem de Emma Watson e a atitude implacável de Noé. Cam, filho de Noé interpretado por Logan Lerman (o Percy Jackson dos filmes), surge como um garoto rebelde que não se vê em sintonia com a fé do pai e é usado unicamente para justificar a presença do vilão (Ray Winstone) dentro da arca, numa disputa que funcionava antes do dilúvio por existir interesses plausíveis, mas que depois, só serve para criar um mano a mano com Noé em uma cena que nada acrescenta a história. Sem falar da péssima construção de passagem tempo não só nesse momento, mas em todo o filme. 

Portanto, eis o meu veredito: NOÉ é um filme bom e interessante. Um passatempo agradável de se ver não com olhos religiosos, mas com o olhar de um filme de ação e aventura épica produzida por Hollywood e com muitos efeitos especiais. O elenco está ótimo! Russell Crowe numa atuação excelente misturando a passividade e determinação do seu Maximus em “Gladiador” junto com os conflitos e insanidade do seu Javert em “Os Miseráveis”. 


No fim, o filme está longe de ser um épico bíblico, mas uma aventura épica BASEADA numa história bíblica, cujo resultado mostra respeito ao material de inspiração, mas também traz suas próprias discussões sobre religião, ciência e fé. Por isso, se os cristãos quiserem uma adaptação fidelíssima do que está na Bíblia, teremos que esperar ou cinema gospel tomar atitude ou, simplesmente, aguardar uma minissérie da Record. Até la...

Comentário por Matheus C. Vilela

terça-feira, 25 de março de 2014

Series: BLACK SAILS - 1ª TEMPORADA

Black Sails 1ª temporada-EUA
Total de episódios: 08
Ano: 2014

NOTA: «««««


Nada melhor do que você ser surpreendido por algo. Com “Black Sails” foi assim. Começando com aquela habitual introdução de personagens e trama, os dois primeiros episódios da série, aparentemente, não apresentava nenhum personagem com, digamos, “aquele” diferencial. Ninguém ali instigava nossa atenção, principalmente o próprio protagonista Capitão Flint.

Mas não se engane com isso, pois “Black Sails” vai melhorando a cada episódio trazendo, diferente de “Piratas do Caribe” ou outros exemplares de piratas, os bastidores desse mundo recheado de intrigas, interesses e traições. Não que “Piratas do Caribe”, o grande responsável pelo sucesso dos piratas na cultura pop, seja ruim. A questão é que “Black Sails” deixa toda a fantasia em torno das histórias de piratas de lado e foca no realismo, em como era a realidade da época. 


O mundo pirata vai muito além de meros saqueadores de navios. Existia todo um monopólio, uma organização hierárquica desse comércio ilegal que perdura até hoje, ainda que dentro de uma realidade completamente diferente. A história em grande parte se passa em Nassau, um porto comercial onde os piratas trocavam e negociavam suas mercadorias e mantinham um padrão de vida estável com toda a liberdade, conforto e prazer que almejavam. 

E se “Black Sails” já consegue ser eficiente na construção desse mundo, as cenas de ação não ficam por menos. Empolgantes, bem filmadas e com um cuidado técnico visível, a série mostra ter forte potencial para continuar o legado pirata iniciado pela franquia bucaneira da Disney, agora na televisão e com uma pegada crível e pautada na realidade dos piratas. Recomendado!


Comentário por Matheus C. Vilela