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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O AMANTE DA RAINHA

En Kongelig Affere-DINAMARCA
Ano: 2012 - Dirigido por: Nikolaj Arcel

Sinopse: Século XVIII. Caroline Mathilde (Alicia Vikander) é uma jovem britânica que se torna rainha da Dinamarca após se casar com o insano rei Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard). Em viagem pela Europa, a saúde mental do monarca piora a cada dia e um acompanhamento médico torna-se necessário. O alemão Johann Struensee (Mads Mikkelsen) é escolhido e rapidamente conquista a confiança do rei, tornando-se seu confidente e principal conselheiro. Promovido a médico da corte, Struensee também se aproxima cada vez mais de Caroline. Aproveitando-se da fragilidade de Christian, os dois assumem o poder do país e iniciam uma surpreendente reforma de inspiração iluminista.


Gosto muito de filmes históricos, principalmente quando aprendemos com eles. Neste filme dinamarquês indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, são relatados os fatos ocorridos no século XVIII na Dinamarca, e ainda que se chame “O Amante da Rainha”, o foco acaba sendo os problemas políticos ocorrentes no período quando o Iluminismo estava ganhando força, enquanto que a parte “romântica” funciona como válvula para o desenrolar dessa trama envolvendo os interesses da nobreza e de seus oponentes, já que o tal amante da rainha, que é o médico particular do rei Christian VII, é a favor das idéias iluministas e torna-se o melhor amigo do rei, portanto, tal aproximação gerará desconfianças por parte dos conservadores que se sentirão com os seus ideais ameaçados.


A parte do romance, ainda que seja uma história real, é aquela velha história da princesa que é forçada a se casar com um rei excêntrico que ela não ama, até o momento que irá se apaixonar por um homem belo que despertará o seu interesse. Nada de muito original, porém, tal detalhe beneficia mais do que atrapalha, já que o foco, como já dito, não é esse e sim os fatos políticos da época, e com isso, o filme torna-se bem mais instigante e envolvente onde a trama da rainha com o seu amante colaboram para a tensão e o desdobramento dos fatos.

Como é obrigação em um filme de época, a produção de “O Amante da Rainha” é simplesmente linda. Uma fotografia por vezes densa, em outros momentos mais viva, mas sempre conseguindo ressaltar a emoção de cada momento. Do mesmo modo o figurino é exemplar, a trilha sonora suave e bela colaborando também para o nosso envolvimento na história.


Dirigido por Nikolaj Arcel e estrelado por Mads Mikkelsen e Alicia Vikander, o longo merece a nossa atenção. Um exemplar eficiente de época que não soa em nenhum momento arrastado e cansativo. Muito pelo contrário, Arcel conduz com dinamismo e fluidez a trama, nos colocando diante dos acontecimentos e gerando o nosso interesse cada vez mais pela história.

Muito mais do que um filme sobre “amor proibido”, “O Amante da Rainha” é um exemplar político. E do bom! Recomendo!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

MINHAS APOSTAS DO OSCAR 2013

Confira abaixo as minhas apostas do Oscar 2013. Poste nos comentários a sua lista de quem você acha que serão os ganhadores deste ano. Abraço.

MELHOR FILME

Fiquei triste por não terem colocado na lista “Skyfall”, dando uma oportunidade aos blockbusters. Mas tudo bem, dentre os 9 indicados deste ano, o que menos me convence é “As Aventuras de Pi”. Não achei o filme ruim. Gostei. Uma produção impecável! Mas produção apenas não é motivo para um filme ser indicado a Melhor Filme do ano. 

Mas a lista deste ano está muito boa com filmes competentes e que merecem o reconhecimento. Como já até comentei anteriormente em Melhor Diretor, aposto em “Argo” para Melhor Filme. O longa ganhou os prêmios do Sindicato dos Produtores, Diretores e Atores e consagra-se como o grande favorito da noite. Affleck não vai levar o de diretor, mas ao menos, ganhará o Oscar de Melhor Filme, juntamente com George Clooney e Grant Haslov, os outros produtores do filme.

MELHOR DIRETOR

Como Ben Affleck foi esnobado injustamente por sua direção em “Argo”, filme que venceu todos os prêmios de Sindicato até agora e assume a dianteira como favorito ao prêmio de Melhor Filme, provavelmente quem fatura o prêmio de Diretor será Steven Spielberg por “Lincoln”.

Penso assim: americano é extremamente patriota, e tanto “Argo” como “Lincoln” são dois filmes bem patrióticos. Um deles conta a história do maior presidente que o país já teve e o outro conta a história real de seis diplomatas americanos no Irã. Ou seja, dois filmes que mostram o triunfo dos americanos, por isso, acredito que a Academia fará essa dobradinha premiando “Lincoln” com Melhor Diretor e “Argo” como “Melhor Filme”.

MELHOR ATOR

Categoria previsível onde sem dúvida o grande vencedor será Daniel Day-Lewis por sua interpretação do presidente Abraham Lincoln em “Lincoln”. O ator de fato está um arraso em cena e vai se consagrar como o único ator da história a ganhar três Oscar como Ator principal. Nem Jack Nicholson conseguiu tal feito!




MELHOR ATRIZ

Gosto das atuações de todas, mas o prêmio vai ficar entre Emannuele Riva por “Amor” e Jennifer Lawrence por “O Lado Bom da Vida”. Emmanuelle está soberba e merece ganhar, sua atuação possui um peso e cresce cada vez mais com o decorrer do filme, no entanto, Jennifer Lawrence, como ganhou o SAG, é a favorita e por ser hoje a queridinha dos Estados Unidos não deve sair de mãos abanando. Gosto muito da atriz, mas Emannuelle merecia essa!


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Uma categoria imprevisível sem grandes favoritos. Talvez Tommy Lee Jones talvez seja o mais cotado, já que venceu o Screen Actors Guild (SAG), porém, Christopher Waltz vem com peso assim como Phlip Seymour Hoffman.

Todos os atores aqui já ganharam o prêmio antes. Mas aposto em Tommy Lee Jones por "Lincoln"!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Não vi na atuação de Jacki Weaver algo digno de ser indicado ao Oscar. A atriz está bem em “O Lado Bom da Vida”, mas nada de impressionante. Não assisti até hoje "O Mestre", mas dizem que Amy Adams está formidável e não duvido. Porém, a grande vencedora será Anne Hathaway por “Os Miseráveis”. Uma atuação dedicada e emocionante da atriz, que encanta não só cantando como também atuando. Merece!


MELHOR ANIMAÇÃO

Talvez por falta de mais opções para preencher as cinco vagas a Academia decidiu indicar "Piratas Pirados!" como Melhor Animação. O filme juntamente com “Hotel Transilvânia” é um das piores animações de 2012. Fora ela, os demais indicados gosto muito de cada um.

“Valente” e “Paranorman” são duas animações ótimas, mas nenhuma tem chances. Os favoritos são “Frankenweenie” e “Detona Ralph”, e creio que “ Detona Ralph” leva fácil. Ainda que o meu predileto seja o filme do Tim Burton, 2012 foi o ano da Disney e “Detona Ralph” é sem dúvida uma das melhores animações do ano passado.


MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Todos os filmes que estão concorrendo este ano gostei bastante de cada um. De suas abordagens, atuações e história cada filme possui os seus méritos e algo a se pensar. Porém, é mais do que óbvio que o grande vencedor será “Amor”, a grande surpresa nas indicações deste ano e até agora um dos melhores lançados nos nossos cinemas.

O filme está indicado não só como Melhor Filme Estrangeiro, como também a Melhor Filme, Diretor, Atriz e Roteiro Original.



MELHOR DOCUMENTÁRIO

Todos documentários com temas fortes, mas aposto em “The Invisible War” que causou polêmica nos Estados Unidos por denunciar os abusos sexuais sofridos por homens e principalmente mulheres no exército. Um filme que impacta pela crueza com que mostra os fatos e ainda possui um tema polêmico nunca antes abordado.







MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA METRAGEM

Vencedor de inúmeros prêmios, o documentário em curta metragem “Inocente” é a minha aposta. O curta conta a história do amadurecimento e determinação de uma artista de 15 anos que não deixou de correr atrás do seu sonho por ser uma imigrante ilegal. 

Mas “Open Heart” também é um fortíssimo candidato por tratar de um assunto forte e sensível que é a busca de oito crianças por uma cirurgia cardíaca de alto risco no Sudão.



MELHOR FILME CURTA METRAGEM

Confesso que não assiste nenhum desses curtas ainda e minha aposta será no chute. Voto em Death of a Shadow!





MELHOR ANIMAÇÃO CURTA METRAGEM

2012 foi o ano da Disney! Detona Ralph deve ganhar o prêmio de Melhor Animação e creio que o curta “Paperman” leva aqui. Um curta muito emocionante e divertido. É a Disney impressionando!





MELHOR FOTOGRAFIA

Acho injusto terem esnobado “Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge” que, como os demais filmes da franquia Batman, sua fotografia é minuciosa e bem realizada. Mas tudo bem, dos concorrentes, gosto muito da fotografia de “Anna Karenina”, uma mescla de cores e luzes que resulta num resultado soberbo. “As Aventuras de Pi” que, juntamente com os efeitos especiais, é para mim o grande atrativo do filme e a de “Lincoln” onde o uso de iluminação externa ou apenas velas para clarear os ambientes resulta em um belo trabalho de Janusz Kaminski, que cria momentos lindos, como por exemplo, a figura do presidente em contraste com a luz vinda da janela. Creio que “Lincoln” leva essa!


MELHOR FIGURINO

Todos são filmes de época, ainda que, a meu ver, a presença de “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador” seja equivocada, já que existiam outros trabalhos melhores como “O Amante da Rainha”, por exemplo.

Meu voto vai para “Anna Karenina” que dentre os cinco é o que possui o figurino mais chamativo, com vestidos que abusam dos acessórios e cores. Um trabalho que merece reconhecimento!


MELHOR MONTAGEM

Minha aposta fica para “Argo” que, devido a sua montagem, resulta em um filme dinâmico e principalmente empolgante em seu desfecho. O melhor dos cinco sem dúvida!








MELHOR MAQUIAGEM

Se seguir a tendência do ano passado, talvez “Hitchcock” leve o prêmio pela transformação de Anthony Hopkins no diretor. Mas não acho que mereça! Em certos momentos a maquiagem soa estranha tornando Hopkins nitidamente engessado e falso. Não conseguiu o resultado impressionante e natural como ocorreu em “A Dama de Ferro” no ano anterior. Portanto, minha aposta vai para “O Hobbit” que, mesmo não fazendo nada de original, ao menos faz com êxito e precisão.




MELHOR TRILHA SONORA

Cada uma das trilhas indicadas colabora e muito para o nosso envolvimento com o filme. Uma categoria difícil onde “Argo”, “Pi” e “Lincoln” disputam frente a frente.

Minha aposta vai para “As Aventuras de Pi” feita por Mychael Danna que é a minha preferida.






MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Before My Time” é de longe a melhor canção que está concorrendo, ao menos para mim. Linda, melódica, suave e profunda, a música fala lá no fundo com uma letra emocionante. Mas não creio que deva ganhar. Acredito na vitória de Adele por “Skyfall”, em homenagem ao cinqüentenário de James Bond, ou de “Os Miseráveis” por “Suddenly”, primeiro por ser um musical e segundo por ser um dos filmes mais elogiados do ano.





MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Outra categoria difícil onde todos os filmes indicados são altamente merecedores. Talvez por querer distribuir os prêmios para nenhum filme sair de mãos vazias, já que “Anna Karenina” vai levar por figurino, “O Hobbit” por maquiagem, “As Aventuras de Pi” pela trilha, e “Os Miseráveis” e “Lincoln” são fortes candidatos aos prêmios principais, aposto em “Os Miseráveis” pelos grandiosos cenários e recriação da França no período pós-Revolução. Um trabalho por sinal minucioso e belíssimo de se ver.




MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Está aí uma categoria que eu sou horrível para acertar. Não existe favoritos. É uma categoria que geralmente costuma premiar um blockbuster que fez sucesso no ano. Com toda a moral adquirida por 007 em “Skyfall”, creio que o filme será o grande vencedor.







 MELHOR MIXAGEM DE SOM

Assim como em Edição, aposto em “007 – Operação Skyfall” para o prêmio de mixagem. 










ROTEIRO ADAPTADO

Categoria complicada! Os favoritos são “Argo” e “Lincoln”, mas aposto em “Argo” por transmitir um acontecimento real um tanto quanto surreal de se imaginar que aconteceu, mas que no filme é passado com equilíbrio, sem exageros e convencendo o público que de fato aquilo mostrado ocorreu.







MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Tarantino foi lembrado aqui, mas deixado de lado nas indicações do Sindicato dos Roteiristas. Assim como “Amor”. Já o restante foi indicado tanto aqui como lá, porém, com as inúmeras surpresas causadas pelo filme de Haneke na premiação deste ano, aposto na vitória de “Amor” para a categoria de Roteiro Original.






MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

Uma baita injustiça terem deixado “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” de lado para indicar “Branca de Neve e o Caçador”! Talvez esta seja a categoria mais injusta do ano. Nolan explode um estádio, uma cidade, um avião com o uso mínimo de efeitos digitais, mas optaram por escolher um filme de monstrinhos e bichinhos digitais cujos efeitos nem são tão marcantes assim. Vai entender... 

Minha torcida este ano vai para “O Hobbit”, mas aposto na vitória de “As Aventuras de Pi” que criou um dos tigres digitais mais criveis do cinema.



Comentários por Matheus C. Vilela

Conheça os vencedores dia 24 deste mês à partir das 22h.

O HOMEM DA MÁFIA

Killing Them Softly-EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Andrey Dominik

Sinopse: Nova Orleans. Um assalto a um jogo de pôquer ilegal, cujos participantes eram integrantes da máfia, abala o submundo do crime. O matador profissional Jackie Coogan (Brad Pitt) logo é contratado para investigar o caso, já que os chefões da máfia desejam que os responsáveis sejam punidos, mas sem estardalhaço. Entretanto, a hesitação de alguns dos participantes coloca a situação ainda mais fora de controle. Dirigido por Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e com Richard Jenkins, Ray Liotta e James Gandolfini no elenco.


Filmes de gangsteres sempre foi um ponto alto em Hollywood, que já realizou obras clássicas como a trilogia “O Poderoso Chefão”, “Os Bons Companheiros” e dentre outros que marcaram o gênero. Neste ano de 2012, surpreendentemente aparece esta pérola estrelada por Brad Pitt e dirigida por Andrey Dominik que realizou o formidável “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford”. 

Diferente dos demais filmes de gangsteres, este “O Homem da Máfia” é até rápido e direto em sua trama. Não temos grandes aprofundamentos sobre a vida de cada personagem, aqui, o foco da história é resolver o que tem que ser resolvido e pronto. A duração de 1 hora e 30 minutos prova isso. Um filme sem enrolações e sucinto em seu desenrolar. 


Talvez isso possa parecer até um pouco desconfortante já que cresce dentro da gente o interesse de conhecer melhor cada personagem ali inserido, no entanto, o ritmo é tão empolgante e os momentos clímax são tão bem realizados por Dominik que embarcamos por completo torcendo e ficando apreensivo a cada minuto. Em um filme com mafiosos nunca sabemos quem pode morrer, e o diretor cria bem essa imprevisibilidade levando-nos para um campo minado. 

O Homem da Máfia” vale a pena para quem procura um thriller empolgante não só em seus diálogos como também em suas cenas de ação, podemos assim dizer. Brad Pitt encarna com fervor o matador de aluguel contratado para matar os responsáveis por roubar uma casa de jogos frequentada por mafiosos, e com o seu habitual carisma e talento, o filme fica mais interessante ainda. Recomendado!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

HOTEL TRANSILVÂNIA

Hotel Transylvania/EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Genndy Tartakovsky

Sinopse: O Hotel Transilvânia é um resort cinco estrelas que serve de refúgio para que os monstros possam descansar do árduo trabalho de perseguir e assustar os humanos. O local é comandado pelo Conde Drácula (Adam Sandler), que resolve convidar os amigos para comemorar, ao longo de um fim de semana, o 118º aniversário de sua filha Mavis (Selena Gomez). O que ele não esperava era que Jonathan (Adam Samberg), um humano sem noção, fosse aparecer no local justo quando o hotel está repleto de convidados e, ainda por cima, se apaixonasse por Mavis.


A primeira vista Hotel Transilvânia parecia uma ótima de ideia, de juntar os clássicos monstros do cinema numa mesma animação e desenvolver ali uma história que homenageasse tais personagens com humor, suspense e empolgação. Porém, o resultado final é um bobo, de humor barato e trama rasa que preza mais as piadas do que um bom roteiro. Nem mesmo a direção de Genndy Tartakovsky, que faz sua estreia na direção de um longa animado e foi criador de desenhos originais como “Laboratório do Dexter” e “Samurai Jack”, aqui, não apresenta sua marca e segue apenas a fórmula proposta pelo estúdio. 

O filme tem um ritmo bem agitado e piadas uma atrás das outras brincando o tempo todo com os monstros e suas peculiaridades. O longa irá agradar as crianças que vão achar divertido e engraçado, pois o foco acaba sendo justamente elas. Nesse quesito, o filme atinge o alvo. 


Porém, para os maiores vai parecer uma animação totalmente descartável. Em meio a filmes grandiosos e com boas tramas como os feitos pela Pixar, Disney e Dreamworks nesses últimos anos, “Hotel Transilvânia” é um exemplar que mostra falta de criatividade e com fórmula vencida. Ou mal usada, já que existem animações cujos clichês são bem desenvolvidos. Mas aqui, nenhum personagem é interessante e tem um papel significativo no filme. Particularmente, achei bobo e esquecível!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

RUBY SPARKS - A NAMORADA PERFEITA

Ruby Sparks/EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Jonathan Dayton e Valerie Faris

Sinopse: O romancista Calvin (Paul Dano) sofre com perturbador bloqueio criativo que atrapalha o desenvolvimento de seu último livro. Com problemas também em sua vida pessoal, começa a criar uma personagem feminina poderia se apaixonar por ele. Daí nasce Ruby Sparks (Zoe Kazan), que inicialmente é uma personagem dentro de uma história, mas que pouco depois ganha vida e passa a conviver e se relacionar com Calvin pessoalmente.


O que você faria se tivesse como criar uma namorada do seu jeito? O que você escrevesse numa folha de papel imediatamente aconteceria com a tal pessoa. Será que ter alguém 100% perfeito, que te agradasse em tudo e fosse exatamente do jeitinho que você tanto quer vale a pena? Pois é, essa é a questão na qual este “Ruby Sparks – A Namorada Perfeita” trata. 

Dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris que comandaram o excelente “A Pequena Miss Sunshine”, os dois diretores criam um filme muito mais interessante nos temas abordados do que necessariamente no romance em si. Não que seja ruim o lado romântico, mas entrar em assuntos tão complexos falando de um jeito tão direto como que jogando na cara do telespectador é incrível. 


O filme mostra que ser humano perfeito é um grande problema, e se tivéssemos esse poder de criar a pessoa ideal, na realidade, a vida seria sem graça, já que a magia de um relacionamento é você se adaptar a outra pessoa aprendendo a conviver dia após dias com os seus defeitos e também qualidades. 

Outra questão apresentada é como o ser humano é egoísta e egocêntrico. Se tal poder de criar a namorada perfeita existisse de fato, tornar-se-ia uma obsessão. Nos momentos onde as diferenças baterem e o casal se desentender, a pessoa com tal poder mostraria o seu verdadeiro “amor” não se colocando no lugar da outra, e querendo tudo para si, se transformaria numa espécie de ditador. Algo que já acontece muitas vezes com muitos casais onde um busca controlar o parceiro em todos os sentidos, imagina se alguém pudesse controlar outro ser humano escrevendo como a pessoa deveria ser numa folha de papel? Tentador... mas desumano. 


Portanto, “Ruby Sparks – A Namorada Perfeita” é uma grata surpresa. Um filme independente que mostra toda a sua força e vigor numa ótima história acompanhada de excelentes atuações. Vale a pena!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DA VIDA

Silver Linings Playbook/EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: David O. Russell

Sinopse: Por conta de algumas atitudes erradas que deixaram as pessoas de seu trabalho assustadas, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu quase tudo na vida: sua casa, o emprego e o casamento. Depois de passar um tempo internado em um sanatório, ele acaba saindo de lá para voltar a morar com os pais. Decidido a reconstruir sua vida, ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado recente e até reconquistar a ex-esposa. Embora seu temperamento ainda inspire cuidados, um casal amigo o convida para jantar e nesta noite ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma mulher também problemática que poderá provocar mudanças significativas em seus planos futuros.


David O. Russell vêm conquistando aos poucos o seu lugar em Hollywood como um dos diretores mais consistentes atualmente. Depois de “Três Reis”, de 1999, e “Huckbees – A Vida É Uma Comédia”, de 2004, Russell ficou um tempo parado e voltou só em 2010 com um dos meus filmes preferidos daquele ano chamado “O Vencedor”. Apresentando uma maturidade notável tanto na condução da narrativa quanto na direção dos atores, oferecendo uma liberdade que possibilita uma entrega maior por parte destes, mostrando que Mark Wahlberg tem sim qualidades dramáticas, agora o diretor retorna com um trabalho de mesmo modo impactante, lidando mais uma vez com conflitos familiares e pessoas problemáticas, e extrai sem exageros ou cafonices a emoção ali presente. 

Primeiro que o filme nos apresenta uma situação que acontece com grande parte das pessoas, talvez não da maneira como ocorre com os personagens do filme, mas de um jeito ou de outro a situação é a mesma. Quando a vida pega a gente de surpresa com algo inimaginável que, quando acontece, por ser tão inesperado, ficamos sem saber como reagir abrindo uma oportunidade para atitudes levadas pelo impulso e as emoções, e com isso, acabamos piorando aquilo que já estava ruim. 


Na nossa consciência achamos estar certo, ainda que a realidade seja totalmente diferente. E lidar com os nossos sentimentos, principalmente quando envolve sentimentos de pessoas que fizeram parte da nossa vida, e foram importantes para esta, é sempre complicado. Você não quer acreditar na realidade e mente para você mesmo, no entanto, cedo ou tarde vamos ter que enfrentar, esquecendo o passado e seguindo em frente. E isso que é o mais difícil, porque nós não queremos abrir mão daquilo ao qual nos apegamos tanto. Não queremos se sentir perdedores, trocados, esquecidos, traídos e por aí vai. 

Portanto, a lição que “O Lado Bom da Vida” ensina é justamente esta: ao seguir em frente, abrimos a porta para novas oportunidades virem, e muitas vezes, por deixarmos de olhar ao nosso redor perdemos oportunidades que mudarão por completo nossas vidas, deixando de investir em pessoas que valem de fato a pena e que te valorizam muito mais do que aquelas na qual estávamos perdidamente cegos. A mudança parte de nós, não do próximo, somente de nós! 


Do mesmo modo que acontece em “O Vencedor”, aqui também temos um elenco formidável que apresenta atuações tão humanas e verdadeiras que nos identificamos com eles logo de cara. Bradley Cooper surpreende em todos os sentidos, deixando de lado o lado galã como visto em “Se Beber, Não Case!” para investir em um personagem complexo e complicado, onde o ator equilibra bem o drama com as doses de humor, sem nunca deixar de transparecer o quão machucado e sem direção o seu personagem está. 

Jennifer Lawrence é outra que caminha para se tornar a melhor atriz da nova geração. Além de linda e carismática, Lawrence é acima de tudo talentosa. Ela interpreta uma personagem tão complicada e angustiada quanto o de Cooper, e devido a isso, os dois vão criar um laço tão forte onde cada um será a oportunidade indispensável para ambos superarem os problemas e serem felizes. Lawrence e Cooper possuem uma química magnifica que não só dá ritmo ao filme, como oferece ótimos momentos de humor e emoção. 


Jacki Weaver e Robert De Niro interpretam os pais do personagem de Cooper. Weaver mantém as emoções e preocupações de mãe sempre convincentes, mas é Robert De Niro quem encanta. O ator há tempos vem atuando no piloto automático cumprindo regularmente o seu trabalho de ator, mas nunca se entregando de fato na interpretação como fazia nos velhos e bons tempos. Mas aqui, De Niro emociona e diverte na pele do pai, e cria uma química bem envolvente com Bradley Cooper mostrando que quando quer, sabe atuar. 

Então, não há mais elogios para o diretor David O. Russell que também escreveu o roteiro. Essa onda de filmes sobre conflitos e superações têm rendido ótimos exemplares e um reconhecimento merecido ao diretor, que consegue envolver o público com tramas cotidianas misturando boas doses de humor com dramas que passam longe do novelesco e melodramático. É impossível não se identificar. Grande filme!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

OS MISERÁVEIS

Les Misérables/EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Tom Hooper

Sinopse: Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe).


”Os Miseráveis” foi escrito pelo escritor francês Victor Hugo e publicado pela primeira vez em 1862. A obra foca na história de Jean Valjean, um condenado posto em liberdade que é perseguido pelo inspetor Javert incessantemente durante anos. O pano de fundo é o período de conflitos no país como a Batalha de Waterloo em 1815 e os motins de junho de 1832, servindo para Victor Hugo aprofundar-se na extrema pobreza da população e nas desigualdades sociais desta, marcada pelo desprezo da nobreza para com as classes inferiores, principalmente depois da vinda da tuberculose que matou milhares de pessoas. 

O clássico livro talvez seja uma das obras mais adaptadas da história. Tendo inúmeras versões para a televisão, cinema e teatro, “Os Miseráveis” ganhou enorme destaque mundialmente com a adaptação feita para os palcos da Broadway, onde os temas e conflitos inspiraram a construção de um musical encabeçado por canções que conquistaram o mundo como “I Dreamed I Dream” e “On My Own”. 


Portanto, adaptar novamente a homônima história para as telas, ainda que sua última versão tenha sido lançada apenas em 1998 com Liam Neeson e Uma Thurman no elenco, tinha que se pensar em algo diferente e não apenas realizar mais uma adaptação do livro para o cinema. Felizmente, o diretor Tom Hooper (vencedor do Oscar por “O Discurso do Rei”) conseguiu esse diferencial, adaptando o musical da Broadway numa versão nunca antes levada ao cinema. 

Um filme cuja história é contada praticamente cantada, com pouquíssimos diálogos, Hooper faz um filme onde se aproveita a qualidade de sua história mesclando bem a trama de cada personagem juntamente com o contexto histórico da época, e o que poderia soar um musical chato e cansativo, “Os Miseráveis”, ainda que seja realmente longo e com alguns problemas, conseguiu em suas duas horas e meia prender totalmente minha atenção com um ritmo sempre fluido, sem enrolações e que se desenvolve de maneira empolgante e cada vez mais envolvente. 


O que pode causar certo desconforto é justamente o excesso de músicas. Há momentos onde uma frase bem dita consegue ser mais impactante do que uma frase cantada, ainda que bem cantada. "Os Miseráveis” perde emoção em alguns momentos devido a isso. Se em determinado instante uma música emociona, em outros não chega a ajudar tanto. Porém, Hooper não deixa a obra prejudicar-se por causa disso. Até em suas imperfeições o filme consegue ser atrativo e envolvente. 

O diferencial deste musical para com os demais feitos por Hollywood, é que aqui Tom Hooper decidiu captar ao vivo a voz dos atores e não gravar primeiro a música em um estúdio para depois cada ator dublar em cena. Com o intuito de criar algo mais realista e verdadeiro, tal escolha soa incrivelmente eficaz, pois traz maior veracidade ao drama dos personagens gerado pela emoção genuína do ator naquele momento, que pôde adaptar sua voz de acordo com o que estava sentindo, sem seguir regras de dublagem e muito menos apresentar uma voz perfeita. Aqui, pelo fato de ser ao vivo, as vozes são imperfeitas cheias de entonações fora do ritmo e desigualdades de tonalidade quando vários atores cantam juntos. Mas isso não é problema nenhum, aliás, é um detalhe que trabalha a favor do filme, já que isso, como já falei, gera maior vivacidade e realismo ao musical trazendo uma emoção palpável já que podemos ver que os atores não estão dublando. 


Exemplo dessa imperfeição se encontra justamente na voz de Russell Crowe, que interpreta o inspetor Javert. Crowe nitidamente canta mal e pouco consegue acertar na entonação, no entanto, não o considero horrível como muitos falaram. Obviamente que eles testaram a voz de Crowe antes e o diretor percebeu tal problema, mas a decisão de mantê-lo se encaixa perfeitamente na intenção de Hooper em criar algo mais perto do real, mostrando que se a vida fosse de fato um musical, nem todo mundo cantaria maravilhosamente bem. E a voz do ator, ainda que ruim, não chega a ser um desastre a ponto de prejudicar o resultado final do filme. Temos até um momento onde Crowe me conquistou cantando a música “Stars” em cima de um telhado olhando toda a cidade. Um dos meus momentos preferidos do filme. 

Em contra partida ao desafino de Crowe, outros atores já conseguem um resultado mais feliz na cantoria. O protagonista Hugh Jackman estremece não só nas canções, mas principalmente em toda a emoção que transmite para o público. Sentimos a tristeza e o pesar dos anos injustiçados em seus olhos e na tonalidade de sua voz mostrando a total entrega do ator ao personagem e realiza uma das melhores atuações que já vi em um musical. 


Anne Hathaway para mim é a melhor de todo o filme. A atriz, assim como Jackman, entrega o seu melhor transparecendo toda a dor de sua personagem Fantine em tela. Quando a atriz canta “I Dreamed I Dream” é impossível não conter as lágrimas e sentir, assim como diz a música, os sonhos perdidos da personagem. 

Os demais atores também estão excelentes: Amanda Seyfried, Eddie Reymayne, a estonteante Samantha Banks que emociona cantando “On My Own” e os responsáveis pelos momentos mais descontraídos do filme, Sacha Baron Cohen e Helen Bohan Carter, mostram a força e a importância de se ter excelentes atores. Até alguns desconhecidos como os jovens Daniel Huttlestone e Isabelle Allen apresentam vozes lindíssimas superiores a muitos atores mais velhos do filme. 


A produção também é de se chamar a atenção. Contrapondo ao realismo desejado em relação às vozes dos atores nas canções, Hooper já cria cenários grandiosos, bem exagerados e com muitas cores referindo-se a estética teatral da obra na qual o filme é baseado. E com isso, faz-se uma mistura perfeita da crueza das vozes com a amplitude dos cenários. 

Portanto, “Os Miseráveis” é um musical que, ainda falho, consegue emocionar e nos levar para dentro de sua história nos fazendo se interessar por cada personagem. Um filme cheio de energia, vigor, beleza e emoção que traz de maneira original a arrebatadora história escrita por Victor Hugo. Vive Lés Miserables!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela