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segunda-feira, 13 de maio de 2013

O ÚLTIMO EXORCISMO - PARTE II

The Last Exorcism: Part II-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Ed Gass-Donnelly

Sinopse: Após escapar do ritual realizado por um culto, que desejava que ela desse a luz a um filho demoníaco, a jovem Nell Sweetzer (Ashley Bell) é encontrada suja e completamente aterrorizada na floresta. Apesar de ser examinada por uma equipe médica, Nell não se lembra bem do que lhe aconteceu. Ela decide se mudar para a pequena cidade de Davreaux, onde tenta recomeçar a vida em um lar para garotas abandonadas. Entretanto, não demora muito para que o demônio Abalam volte a atormentá-la. Desta vez, Nell poderá contar com uma poderosa equipe de exorcistas, que conhecem as técnicas mais avançadas para livrá-la de uma vez por todas desse mal.


Particularmente o primeiro "O Último Exorcismo", lançado em 2010, não causou muito impacto não. Talvez por causa da grande leva de filmes que usavam o artificio da "câmera amadora" lançados na época, mais ainda assim, a série sabia onde queria chegar e fez relativo sucesso, condicionando a realização de uma continuação. 

Neste parte 2 segue-se a história da personagem do original Nell Sweetzer, agora mais crescida. A estrutura documental com câmera na mão é deixada de lado e a trama foca-se mais no suspense do demônio Abalam, que possui Nell no primeiro, do que necessariamente no ritual de exorcismo. 


Artifícios clichês como personagens olhando fixamente para a câmera, visões, contorções, aparelhos que ligam do nada são frequentes ao longo de todo o filme. A trilha sonora torna-se essencial já que é ela que surge como o principal motivo de alguns sustos. 

Mas como um todo, "O Último Exorcismo - Parte 2" perde a linha criativa que ao menos existia no anterior. Aqui, o que temos é um apagado exemplar de suspense que não assusta, segue arrastando sua história buscando meios de aumentar cada vez mais a tensão, como por exemplo, colocar uma profecia de fim do mundo e abrir atalhos para possíveis continuações. 


Sem causar impacto algum, "O Último Exorcismo - Parte 2" decepciona pela falta de ousadia e criatividade. Descartável!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

sexta-feira, 10 de maio de 2013

UMA LADRA SEM LIMITES

Identity Thief-EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Seth Gordon

Sinopse: Sandy Patterson (Jason Bateman) é um paizão, trabalhador e anda louco por uma promoção para melhorar a saúde financeira da família que vai crescer ainda mais, já que sua esposa (Amanda Peet) está grávida. Quando ele estava prestes a dar um salto profissional significativo, descobre que seu nome está sendo usado indevidamente por alguém em outro estado. Com a polícia de mãos atadas para resolver o seu caso, ele resolve viajar para convencer a pilantra (Melissa McCarthy) a se entregar. Só que a missão fica ainda mais complicada na medida que outras pessoas, entre eles um caçador de recompensas, também querem a cabeça dela.


Comédia talvez seja o gênero mais complicado de se comentar hoje em dia. Isso porque é algo muito relativo e vai do humor de cada um, e humor é algo que nunca está o mesmo todos os dias, portanto, uma comédia que hoje não soa tão engraçada, outro dia, dependendo do momento e do estado de espírito do individuo, pode ter efeito contrário. 

Mais vamos ao que interessa em relação a este "Uma Ladra Sem Limites". Dirigido por Seth Gordon, que comandou anteriormente o regular "Quero Matar Meu Chefe", Gordon comete aqui os mesmos erros de seu trabalho anterior, que mesclava com a ação mais pendia no ritmo e na repetição de piadas. 


E olha que temos dois atores ótimos como protagonistas, e aliás, graças a eles que "Uma Ladra Sem Limites" consegue o feito de ter momentos engraçados. Jason Bateman e Melissa McCarthy formam uma dupla divertida, ágil e que sabe aproveitar as deixas do roteiro para suas improvisações. Principalmente McCarthy que é, sem duvida, o grande destaque. 

Mais ainda assim, "Uma Ladra Sem Limites" está longe de fazer jus ao talento desses dois atores. Um filme que se estende na resolução, é cansativo em sua estrutura road movie e pouquíssimas piadas funcionam.

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

XINGU

Xingu-BRASIL
Ano: 2012 - Dirigido por: Cao Hamburger

Sinopse: Os irmãos Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo Villas Bôas (Caio Blat) resolvem trocar o conforto da vida na cidade grande pela aventura de viver nas matas. Para isso, resolvem se alistar no programa de expansão na região do Brasil central, incentivado pelo governo. Com enorme poder de persuasão e afinidade com os habitantes da floresta, os três se tornam referência nas relações com os povos indígenas, vivenciando incríveis experiências, entre elas a eterna conquista do Parque Nacional do Xingu.


“Xingu” nos conta a história real dos irmãos Orlando, Claudio e Leonardo Viillas-Boas quando se alistaram para a expedição Roncador Xingu nos anos 40 para desbravar o centro do Brasil. Com o decorrer do trajeto, tornam-se amigos dos índios iniciando uma empreitada de preservação da cultura indígena e defesa de suas terras. 

A produção teve inicio após o pedido da família dos irmãos Villas-Boas ao diretor Fernando Meirelles, que indicou Cao Hamburger para o posto de diretor. Hamburger se interessou pelo assunto principalmente por se tratar de algo pouquíssimo divulgado no país. 


Assistindo a “Xingu”, me veio à mente um filme excelente de 1986 estrelado por Robert De Niro chamado “A Missão”. Ainda que ali o objetivo dos desbravadores seja a catequização dos índios, ambos os filmes lidam com o assunto de preservação e proteção aos nativos, ameaçados pelo homem branco que invade suas terras. 

“Xingu” possui uma direção eficiente de Hamburger que, juntamente com as ótimas atuações de João Miguel (Cláudio Villas Boas), Felipe Camargo (Orlando Villas Boas) e Caio Blat (Leonardo Villas Boas), despertam nosso interesse para com a história conduzida com um ritmo ágil e envolvente. A fotografia e direção de arte também são outros detalhes notáveis na fita. 


Entretanto, a obra derrapa por pouco se aprofundar nos dramas que surgem em seu desenrolar. A história passa superficialmente soando mais como um resumo e não causa a emoção que poderia causar. Usando o artificio de manchetes de jornais, a trama é rapidamente passada e explicada frequentemente por esse mecanismo. 

Xingu” não é uma maravilha de filme, não é um “A Missão”, mas ainda assim, é uma obra competente do nosso cinema, bem realizada e que relata um assunto frequente até hoje em relação aos índios. Vale a pena conferir!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela


FERRUGEM E OSSO

De rouille et d´os-EUA
Ano: 2012 - Dirigido por: Jacques Audiard

Sinopse: Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado e vive com o filho, de apenas cinco anos. Ele parte para a casa da irmã em busca de ajuda e logo consegue um emprego como segurança de boate. Um dia, ao apartar uma confusão, ele conhece Stéphanie (Marion Cotillard), uma bela treinadora de orcas. Alain a leva em casa e deixa seu cartão com ela, caso precise de algum serviço. O que eles não esperavam era que, pouco tempo depois, Stéphanie sofreria um grave acidente que mudaria sua vida para sempre.


Este é o terceiro filme do diretor Jacques Audiard, que estreou brilhantemente em 2005 com o excelente “De Tanto Bater, Meu Coração Parou” e em 2009 com o ótimo “O Profeta”. Agora em 2012, Audiard deixa a crueza de lado e opta por um drama mais melancólico sobre duas pessoas buscando se achar na vida. 

Uma delas chama Stephanie que trabalha como treinadora de orcas, mas após um acidente perde as duas pernas. O outro é Alain, um pai de família que vai morar na casa da irmã com o filho buscando se reestruturar.


Audiard em nenhum momento adentra de cabeça no romance desses dois personagens. Notamos o interesse por parte dela, no entanto, por parte dele não sentimos nada. Aliás, o filme não engrena justamente por não saber qual caminho tomar. Há momentos onde o roteiro segue focado em Stephanie, outros em Alain, e isso, nenhuma e nem outra acaba impressionando. 

O que nos segura em “Ferrugem e Osso” são as ótimas interpretações. Matthias Schoenaerts transmite com vivacidade e dor as frustrações de Alain, e a estonteante Marion Cotillard é um encanto como Stephanie. 


Porém, a fita pouco me surpreendeu e não consegui me envolver como nos trabalhos anteriores de Audiard. Ainda que com ótimas interpretações e uma trama bonita, o filme demora a se encontrar e se estabelecer.

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SOMOS TÃO JOVENS

Somos Tão Jovens-BRASIL
Ano: 2011 - Dirigido por: Antonio Carlos da Fontoura

Sinopse: Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.


Fazer uma biografia de um grande ídolo ou ícone seja do cinema, ou da música, ou da literatura é uma tarefa complicada que se não for bem feita pode tornar-se algo superficial. Este “Somos Tão Jovens” relata a adolescência de um dos mais aclamados cantores brasileiros, amado e lembrado até hoje por suas canções de caráter pessoal e revolucionário. 

Estamos falando de Renato Russo, um sujeito que nasceu em Brasília, odiava a ditadura e possuía atitudes nada ortodoxas que batiam de frente com o pensamento da sociedade daquele período. E como todo jovem, o desejo de mudar o mundo, de deixar sua marca e lutar por seus ideais sempre esteve correndo em suas veias, e isso é justamente o principal interesse deste filme, mostrar esse lado de Renato Russo e inspirar os jovens de hoje a não desistir de seus sonhos e nunca deixar que os padrões da sociedade o sufoquem. 


Portanto, o que temos aqui é um relato maquiado e simplista de Renato Russo como pessoa, e um retrato forte de seus talentos como cantor e compositor. Ou seja, temos uma biografia que exalta o seu biografado apresentando-o como um grande símbolo, um ícone a ser seguido e tido como inspiração. 

“Somos Tão Jovens” é um filme de fã para fãs do cantor. Sem aprofundamento dramático e com um desenrolar bem musical, o deleite do filme acaba sendo as músicas do cantor que envolve todo o longa. Conhecemos quais foram as inspirações de Renato para compor músicas como “Será”, “Eduardo e Mônica”, “Somos Tão Jovens”, “Geração Coca-Cola” e dentre outras conhecidas de sua carreira. 


O elenco é competente, simpático e convincente. Thiago Mendonça ficou parecido e mostra um trabalho notável de personificação da figura de Renato Russo, e sua química com Aninha, melhor amiga de Renato interpretada por Laila Zaid, soa orgânica e tocante. 

Porém, o filme é apenas um fetiche para os fãs do cantor ouvir suas músicas serem passadas na tela grande. Como biografia, “Somos Tão Jovens” é vazio, sem emoção e não transmite quem foi o verdadeiro Renato Russo. Pena!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

A MORTE DO DEMÔNIO

Evil Dead-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Fede Alvarez

Sinopse: Mia (Jane Levy) é uma garota viciada em drogas. Ela é levada pelos amigos Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci) para uma cabana isolada na floresta, no intuito de realizarem uma longa cura de desintoxicação. Para a surpresa de todos, o irmão de Mia, David (Shiloh Fernandez), rapaz afastado dos amigos e familiares há tempos, também aparece, junto de sua namorada, Natalie (Elizabeth Blackmore). Entretanto, eles são surpreendidos ao descobrirem que a cabana havia sido invadida, e que o porão parece uma espécie de altar grotesco, repleto de animais mortos. Lá eles encontram um livro antigo, trancado. Atraído, Eric resolve abri-lo e lê-lo em voz alta, sem imaginar as consequências de seus atos. Mia começa a manifestar um comportamento estranho, interpretado no início como sintoma da abstinência. No entanto, aos poucos, todos percebem que uma força demoníaca se apoderou de seu corpo.


Divulgar que determinado filme é “o filme mais apavorante que você já viu na vida” é um risco e tanto. Principalmente por criar tamanha expectativa em relação ao material e no final decepcionar por não ter alcançado aquilo que prometeu. Com este “A Morte do Demônio” acontece justamente isso, no entanto, felizmente, devido tanto à competência técnica quanto a qualidade da narrativa, o longa surpreendentemente não causa o efeito no qual divulgou, mas consegue ser uma obra angustiante, envolvente e memorável. 

Remake do clássico de 1981, também com o mesmo nome, esta nova versão respeita os elementos da versão original e traz a nostalgia daquele cinema de mutilação e mortes envolto de suspense e expectativa gerado pelas cenas. Não considero “A Morte do Demônio” um filme de terror, nem apavorante. Ele é agonizante por ter seres humanos se mutilando e matando outros, forte justamente por não esconder tal violência, mostrando assim o membro saindo, o rosto sangrando e deformado e todo tipo de ferimento pior que o outro, e feio porque também não é nada bonito ver uma pessoa em tais circunstâncias. 


Possui alguns sustos básicos, mas o que faz do filme algo tão prazeroso de assistir é por ser bem contado e desenvolvido, ter atores competentes, um ritmo sempre incessante e dinâmico e um investimento nessa tensão de se ter uma ameaça agindo ali. Não temos espaço para melodramas ou muito falatório, tudo é muito direto e focado na história. 

A versão original dirigida e escrita por Sam Raimi (da trilogia do Homem Aranha) foi um marco na época em que foi lançado e proibido em países como Finlândia, Irlanda, Islândia e Alemanha por causa de seu forte conteúdo onde não hesitava na violência e crueza das cenas. Este remake dirigido por Fede Alvarez faz a mesma coisa. Não chega a ser algo espantoso, pois hoje em dia é costumeiro assistir tal tipo de violência, mas ainda assim, o filme impressiona e enoja, no bom sentido, com suas cenas. O primeiro corte recebeu classificação nos EUA de “proibido para menores de idade”, e teve que ser reeditado recebendo uma classificação R com a permissão de menores nas salas apenas acompanhados por maiores. 


Portanto, “A Morte do Demônio” é a volta daquele velho e bom cinema de horror que fizeram de filmes como “A Hora do Pesadelo”, “O Massacre da Serra Elétrica” (o original) e até mesmo o primeiro “A Morte do Demônio”, obras tão marcantes do gênero. Filmes de violência que investiam no poder de sua violência e na criatividade das mortes. 

Um dos filmes mais empolgantes desse gênero nos últimos anos!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela

quinta-feira, 2 de maio de 2013

UM PORTO SEGURO

Safe Haven-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Lasse Hallstron

Sinopse: Quando uma misteriosa mulher chamada Katie (Julianne Hough) se muda para a pequena cidade de Southport, Carolina do Sul, seus novos vizinhos começam a levantar questões sobre seu passado. Bela e discreta, ela evita qualquer tipo de laço pessoal com os outros habitantes da região até que conhece o charmoso Alex (Josh Duhamel), um homem gentil, viúvo e pai de dois filhos, e a sincera Jo (Cobie Smulders), que se torna sua amiga. Katie começa a se interessar por Alex e se sente cada vez mais afeiçoada a ele e sua família. Ela acaba se apaixonando mas um segredo de seu passado a impede de ser plenamente feliz.


Eu não suporto mais esses filmes baseados nos livros do escritor norte americano Nicholas Sparks. Não sei se as obras literárias é são tão vazias, mas suas adaptações conseguem o feito de serem não só manipuladoras, como exageradamente melodramáticas e sem nenhum atrativo. 

Fora o emocionante e bem desenvolvido “Diário de Uma Paixão”, as demais adaptações abusam da estrutura clichê mudando apenas personagens e cenários, mas de fundo a trama do casal é a mesma. E o fato de ser clichê nem é o grande problema, pois basicamente todos os filmes possuem uma estrutura padrão de fato, a questão é a forma com que é passada na tela.


Excesso de música melosa ao som do piano, paisagens bonitas enfeitam toda a obra, cenas lentas do casal se divertindo e um final manipulador de emoções envolvendo morte e surpresas. Tudo excessivamente novelesco e manipulador para fisgar a atenção principalmente do público feminino. E ainda, o filme também busca no sobrenatural uma maneira de justificar a necessidade da união dos protagonistas e também para ter algum tipo de surpresa na trama, mas acaba sendo algo tão exagerado e cafona que o efeito é oposto. 

Outro detalhe que me deixa indignado é o fato do diretor ser Lasse Hallström. Hallström sempre gostou do melodrama, mas conseguia em filmes ótimos como “Chocolate”, “Gilbert Grape”, “Regras da Vida” e “Sempre Ao Seu Lado” ser dosado e desenvolver uma história de maneira que ficasse interessante. 


Infelizmente temos um grande desperdício de atores não só bonitos como também carismáticos e talentosos. O casal protagonista é competente e agrada. Josh Duhamel considero um ator carismático que consegue ser naturalmente convincente, e com isso, cria uma boa química com a atriz Julianne Hough. 

Portanto, “Um Porto Seguro” é vazio e sem atrativos tanto quanto “Querido John”, “Um Homem de Sorte” e “A Última Música”. Arrastado, exageradamente dramático e com um romance que aproveita da beleza dos atores e das paisagens para chamar a atenção. Descartável!

Nota: «««««

Comentário por Matheus C. Vilela