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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ELYSIUM

Elysium-EUA
Ano: 2013 - Dirigido por: Neill Blomkamp
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Wagner Moura

NOTA:  «««««

Sinopse: Em 2159, o mundo é dividido entre dois grupos: o primeiro, riquíssimo, mora na estação espacial Elysium, enquanto o segundo, pobre, vive na Terra, repleta de pessoas e em grande decadência. Por um lado, a secretária do governo Rhodes (Jodie Foster) faz de tudo para preservar o estilo de vida luxuoso de Elysium, por outro, um pobre cidadão da Terra (Matt Damon) tenta um plano ousado para trazer de volta a igualdade entre as pessoas.


O diretor sul africano Neill Blomkamp ganhou Hollywood em 2009 quando lançou o seu “Distrito 9”. Original e cheio de críticas sociais, Blomkamp criou uma ficção envolvendo seres alienígenas como nunca se tinha visto no cinema. Adaptado de um curta dirigido pelo próprio diretor, “Distrito 9” surpreendeu a todos, e com a expansão dos indicados na categoria de Melhor Filme no Oscar, o longa ganhou uma vaga no grupo e foi indicado a outros três prêmios como Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição. 

Este seu novo trabalho, também uma ficção, parte do mesmo contexto e se utiliza das mesmas abordagens de “Distrito 9”. Não temos aqui alienígenas, mas o fundamento é o mesmo. A raça excluída e reclusa no filme de 2009 eram seres vindos de fora e visto pelo homem como uma raça desorganizada e longe dos padrões dignos para se viver em sociedade. Em “Elysium” quem entra no lugar dos ETs são os seres humanos pobres, reclusos na Terra, acabada pela alta poluição e transformada num verdadeiro lixão, enquanto os ricos, buscando manter o padrão de vida cheio de conforto e regalias, se mudaram para uma estação espacial cujo nome intitula o filme. Um lugar onde a tecnologia proporciona o não envelhecimento e a cura instantânea de qualquer doença. Resumindo: o sonho de todo cidadão morando na Terra, e visto por muitos como algo impossível. 


Obviamente que teremos um herói nessa trama toda que possui o sonho de se mudar para Elysium e que por causa dele vamos ter uma série de reviravoltas. Interpretado por Matt Damon, Max trabalha numa empresa de tecnologia que produz robôs de ponta. Após sofrer um acidente no trabalho e ser exposto a alta radioatividade, Max recebe cinco dias de vida e vê como única solução ir para Elysium e ser curado do problema. Para isso, pede ajuda para o hacker Spider (Wagner Moura), especialista em exportar ilegalmente cidadãos da Terra para Elysium e que ajudará Max na empreitada. 

Diferente de “Distrito 9”, “Elysium” se preocupa muito menos com sua história e foca mais precisamente na ação, que por sinal é excelente e muito empolgante. Um dos pontos fortes da fita, e que é usada para esconder o fraco roteiro. Digo fraco, pois o roteiro, também escrito por Blomkamp, perde várias oportunidades de adentrar em interessantes discussões sobre a situação da Terra naquele momento, e de se aprofundar em questões interessantes acerca da política de Elysium e do desejo de justiça de alguns cidadãos da Terra. Mas tudo isso é deixado de escanteio e Blomkamp limita-se a uma trama de perseguição que resulta em um filme previsível e bobo. 


Com isso, alguns atores acabam se apagando e pouco impressionam. Os principais exemplos são as personagens de Alice Braga, que faz uma amiga de Max que possui uma filha com leucemia, e Jodie Foster, secretária do governo de Elysium que pouco faz e no grande clímax rapidamente é descartada. Os méritos vão para Matt Damon, que segura o filme e por causa do seu carisma conseguimos se interessar por seu personagem. Porém, quem roubam a cena é Wagner Moura e Sharlto Copley. Moura interpreta o hacker Sniper, e com seu estilo excêntrico, o brasileiro não se apaga diante de Damon e sua presença não apenas traz um alivio cômico ao filme, como oferece certa grandiosidade ao mesmo. E Copley, que já trabalhou com Blomkamp protagonizando “Distrito 9”, surpreende no papel do assassino de aluguel a serviço do governo de Elysium. O ator faz o tipo durão e convence criando um personagem desprezível, que quando aparece, traz imprevisibilidade e tensão ao ambiente. Aliás, Copley ofusca totalmente Jodie Foster e se mostra o grande vilão do filme. 

Portanto, “Elysium” poderia ser muito melhor do que apresenta. Mas no quesito ação, o filme merece créditos por ser empolgante e bem filmado. Mesmo não superando “Distrito 9”, o filme é uma ótima pedida e merece ser visto. Vale a pena!

Comentário por Matheus C. Vilela

2 comentários:

Cleone Espíndola disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cleone Espíndola disse...

Adorei a Crítica, apesar de eu não ter visto o filme vc detalhou bem o que acontece, estou louca p assistir e tirar minhas conclusões!